A partir do ano que vem, as atletas que praticam a ginástica rítmica terão que caprichar ainda mais na coreografia se quiserem se destacar no próximo ciclo olímpico, que vai de 2013 até 2016, quando serão realizadas as Olimpíadas do Rio de Janeiro.
Como é feito a cada quatro anos, o Comitê Técnico da Federação Internacional de Ginástica (FIG), fez uma revisão dos critérios de avaliação das apresentações e decidiu fazer algumas modificações. Segundo Márcia Aversani, árbitra e coordenadora da equipe ginástica rítmica da Unopar, as mudanças foram mais significativas desta vez.
A principal delas tem como objetivo resgatar o lado artístico do esporte e valorizar mais a execução das coreografias. "Principalmente dos passos rítmicos de acordo com a música", destaca Márcia.
Com a mudança, além de apresentações mais belas, espera-se maior interesse e envolvimento do público. "Em uma competição, as apresentações são muitos extensas e, às vezes, acabam ficando um pouco cansativas", analisa a árbitra.
Outra mudança importante é com relação aos critérios de pontuação para os chamados "elementos de risco", quando há movimentos como o lançamento de aparelhos, inversões ou estrelas. Esses elementos também serão mais valorizados e quanto maior a dificuldade melhor deverá ser a nota da atleta.
Por outro lado, há elementos que já não serão tão valorizados. É o caso da flexibilidade, que não precisará ser tão excessiva. "Foram definidos como os três elementos básicos saltos, equilíbrio e rotação. Antes, no lugar do terceiro havia também os giros e flexibilidade. O importante mesmo agora é que exista a rotação", explica Márcia.
Na opinião dela, essa última mudança deve possibilitar que mais atletas conquistem notas boas e se destaquem no esporte. No caso específico das brasileiras, Márcia acredita que a valorização das coreografias será também muito positiva. "O Brasil tem essa cultura da música, do ritmo e uma variedade artística muito grande e as coreografias terão quer mais diversificadas".
Em compensação, as atletas do exterior levam vantagem na técnica e podem se destacar mais com as mudanças relacionadas aos elementos de risco. "A técnica do leste europeu é muito forte e a exigência será de uma execução que a gente chama de bem limpa. Teremos que trabalhar bastante a parte técnica no Brasil", declara Márcia.
A árbitra também terá muito trabalho e estudo. Em novembro, ela embarca junto com outros três árbitros brasileiros para Bucareste, na Romênia, para participar de um curso voltado a juízes internacionais, onde os novos critérios de avaliação serão detalhados. "É o primeiro curso, apenas para árbitros. Depois a gente volta para o Brasil e dissemina essas informações, ministrando cursos aqui no país", declara.

Equipe londrinense
Como coordenadora da equipe da Unopar, Márcia explica que as meninas ainda estão focadas nas regras atuais, já que em novembro ainda têm pela frente a participação nos Jogos da Juventude. "Somente depois disso elas começam a trabalhar no novo modelo", encerra.

mockup