GR embarca sonhando com pódio olímpico
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terça-feira, 10 de agosto de 2004
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
A seleção brasileira de ginástica rítmica (GR) de conjunto embarca hoje, às 8h30, para Atenas, onde disputará pela segunda vez consecutiva os Jogos Olímpicos. Em Sydney-2000 terminou na 8 colocação. A meta para Atenas é melhorar o desempenho. Conquistar uma medalha será difícil, mas não impossível. O nível de excelência obtido nos últimos anos permite atletas e comissão técnica sonharem com um lugar no pódio olímpico.
A seleção realizou na manhã de ontem, na Unopar, seu último treinamento antes da viagem. A equipe formada por Dayane Camillo, Ana Maria Maciel, Fernanda Cavalieri, Tayanne Mantovanelli, Larissa Barata e Jeniffer Oliveira demonstrou estar preparada para enfrentar o desafio de, mais uma vez, surpreender e emocionar o público com beleza e técnica da ginástica rítmica brasileira.
O último treino no Brasil não significa que as meninas terão descanso até a estréia, marcada para o dia 26. A técnica Bárbara Laffranchi pretende aproveitar as duas semanas antes da apresentação para acertar os últimos detalhes das coreografias de fitas e arcos e bolas. ''Eu pedi para viajar antes porque existe a questão do fuso horário. Elas levarão quase uma semana para estarem totalmente adaptadas'', explicou a técnica.
Bárbara disse que as meninas viajam ainda mais confiantes após as apresentações em Londrina e Juiz de Fora (MG). ''Foram mais de cinco mil pessoas vibrando com a apresentação.''
Nem mesmo o fato de contar com a atleta mais jovem de toda delegação brasileira Jeniffer Oliveira, 15 anos , preocupa a técnica da seleção. ''A Jeniffer é uma das mais maduras, por isso está tranquila. Ela sabe de sua capacidade e todas confiam em seu potencial'', ressaltou.
A capitã Dayane Camillo pode ser considerada uma veterana para os padrões do esporte. Há 14 anos defendendo as cores do Brasil, ela pretende se aposentar após a Olimpíada de Atenas. ''Nem gosto de pensar nisso que me emociono'', revelou.
Curiosamente, a Grécia marcará o início e o fim da carreira da atleta. Foi lá que, há 13 anos, Dayane fez sua primeira competição com a seleção adulta, no Mundial. ''Se pudesse, seria ginasta a vida inteira e passaria por todas as dificuldades por que sempre passamos. Mas tenho de seguir outros rumos'', declarou a atleta que estuda a possibilidade de continuar trabalhando no esporte.
Com a seleção, Dayane conquistou a medalha de ouro nos Pan-Americanos de Winnipeg-1999 e Santo Domingo-2003, obteve o oitavo lugar em Sydney-2000 e no Mundial de 2002. ''Mas ninguém brilha no conjunto sozinha. Cada uma tem sua importância'', frisou.
Dayane sabe de sua responsabilidade à frente da equipe. ''Preciso passar segurança às meninas. Tenho a obrigação de executar com perfeição os exercícios com maior grau de dificuldade'', observou.
Sobre as chances de medalha, Dayane acredita que o Brasil tem condições de brigar pelo bronze. Segundo ela, a medalha de ouro deve ficar com a Rússia e a prata com a Itália. ''Depois não há grande diferença entre as demais participantes. Ficar entre os cinco primeiros será uma conquista para a GR do Brasil'', afirmou.
No dia 26, às 14h30 (de Brasília), o Brasil será o nono conjunto a se apresentar no aparelho cinco fitas, com o samba ''Canta Brasil'', de Alcir Pires e David Nasser. No aparelho três arcos e duas bolas, a música escolhida foi o tribal ''O Desconhecido'', de André Moraes. Se ficar entre as oito primeiras colocadas, a seleção participa da final no dia 28.


