Atenas - A seleção brasileira de ginástica rítmica (GR) de conjunto, que treina em Londrina, desembarcou ontem em Atenas de olho na final olímpica. ''É muito importante ter um objetivo, um foco, e não tirar os olhos dele. Assim, com certeza, a recompensa virá'', diz Dayane Camilo, que ajudou o Brasil a conquistar a inédita 7colocação nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000.
Segundo a técnica Bárbara Laffranchi, este ano a equipe está muito melhor preparada tanto técnica quanto corporalmente. ''As meninas têm um alto grau de flexibilidade, potência no salto e muito equilíbrio. Acho que nunca tivemos uma equipe tão forte'', diz. ''Conseguimos montar uma coreografia com bastante exercícios de valores elevados e podemos sair ganhando no fator originalidade, que também soma bastante no final.''
Para a coreografia das cinco fitas, a equipe brasileira entrará ao som da música Canta Brasil, em ritmo de escola de samba. Já para a coreografia de arco e bola, usará a música tema do filme brasileiro ''No Coração dos Deuses'', estrelado por Antônio Fagundes. ''A música, o Desconhecido, de André Moraes, tem uma batida bem indígena, isso pode contribuir para o fator originalidade'', conta.
Bárbara não quis apontar as favoritas ao pódio, nem as principais adversárias das brasileiras. ''Só vamos conseguir enxergar isso quando estivermos treinando perto delas. Antes disso, é complicado, porque não sabemos como elas estão.''
O primeiro treino da seleção acontece hoje pela manhã em Atenas. No mesmo horário do Brasil também treinam as seleções da Rússia, líder do ranking mundial e campeã olímpica em Sydney (2000), Alemanha, Polônia, Estados Unidos, Rússia, Japão, Azerbaidjão, Cazaquistão.
Para os Jogos Olímpicos de Atenas, a treinadora aliou a experiência de Dayane Camilo, única remanescente da seleção que esteve em Sydney, com a vontade de atletas mais novas, como no caso da londrinense Jennifer Oliveira, a mais jovem de toda a delegação olímpica, com apenas 15 anos.
Mas, segundo a treinadora, o desafio agora é controlar a emoção das ginastas. ''Quando chegamos na Vila Olímpica, dava pra ver os olhinhos delas brilhando. Elas estão deslumbradas. Afinal, é um presente estar aqui. Poucas pessoas têm este privilégio. O mais importante agora é manter a concentração para não deixar isso influenciar na apresentação'', diz a técnica, que mesmo depois da longa viagem do Brasil para Atenas, não deu descanso às ginastas.
''Aproveitamos o dia para fazer alongamento. Fizemos até balé na varanda do nosso apartamento na vila'', diz Bárbara, entre risos, mostrando-se também empolgada com a Vila Olímpica.

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