GR da Unopar: referência na formação de atletas
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sábado, 13 de abril de 2013
Rafael Souza<br> Reportagem Local 
As ginastas londrinenses Débora Falda, Beatriz Pomini, Gabrielle Moraes e Isadora Silva estão hoje aonde centenas de meninas do Brasil todo imaginam um dia chegar: na seleção brasileira adulta de conjunto. O caminho, no entanto, não foi fácil. Para garantirem lugar no seleto grupo que representa o país mundo afora foi preciso muita "ralação". A trajetória do quarteto é exatamente igual. Desde o primeiro salto, na escolinha de iniciação, às coreografias mais avançadas nas categorias pré-mirim, mirim, infantil e juvenil da Unopar, em Londrina, numa sequência que durou pelo menos oito anos.
Claro que, como atletas de alto rendimento, o quarteto que treina sob o comando da técnica Camila Ferezin, também londrinense, vai precisar "ralar" ainda mais para continuar servindo o time nacional, mas uma coisa já é certa. Para as mais de 250 meninas incluindo todas as categorias -, que continuam treinando em Londrina sonhando um dia repetirem o caminho traçado por elas, o quarteto já é uma importante referência.
Não é preciso nem perguntar. É certo que todas elas treinam todos os dias inspiradas por aquelas com quem dividiam o tablado até pouco tempo. "A minha referência é a Gabi (Gabrielle Moraes). Eu gosto muito dela, de tudo que ela faz", conta a pequena Amanda Caroline Batista dos Santos, de apenas 9 anos. Brenda Rodrigues Schuluga, da mesma idade, também tem sua preferida. "A Gabi faz o panchê (exercício que exige bastante flexibilidade dos membros inferiores). Ver ela lá me anima também a um dia chegar onde ela chegou", repete ela.
E não é difícil entender o porquê de tamanha admiração. Mesmo à distância, o quarteto da seleção, que hoje mora em Aracaju (SE), sede da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), sempre encontra uma maneira de acompanhar passo a passo as admiradoras que ficaram por aqui. "Adoro a Gabi porque ela tem um salto muito bonito. Um dia eu postei uma foto no Facebook e ela curtiu, fiquei muito feliz. Meu sonho é chegar na seleção como ela", solta a tímida Nicole Nakamura, de 9 anos.
Técnica responsável pelo início da formação do quarteto da seleção, Luciane Maria de Oliveira Bernardi ressalta a importância dessa ligação. "É muito importante para o nosso trabalho como um todo, para elas entenderem como funciona e verem que é possível chegar lá", destaca a ex-ginasta, que serviu a seleção por sete anos. "Quando as meninas estão em Londrina, geralmente vêm aqui na Unopar e as pequeninhas ficam olhando como se fossem de outro planeta. São ídolos para elas", define a técnica.
"Antes elas tinham a Dayane (Camillo), que parou de treinar em 2004, como referência, e hoje elas querem ser a Gabi, a Débora", reforça a coordenadora de GR da Unopar, Márcia Aversani.
O que acontece agora com o quarteto e a técnica Camila Ferezin na seleção não é novidade para a Unopar. A estreita relação da equipe com a seleção brasileira teve início em 1983, ano em que as ginastas Bárbara Laffranchi que depois foi técnica da seleção e Maria de Fátima Lopes puxaram a fila londrinense no conjunto verde e amarelo. Depois vieram a própria Camila, Dayane Camillo e Luciane Maria de Oliveira Bernardi.
E todas elas assumiram este papel de referência enquanto estiveram na seleção, o que para Márcia Aversani ajudou no desenvolvimento da equipe e na formação da tradição que possui hoje no cenário nacional. "Houve um momento em que 80% da seleção brasileira de conjunto eram de atletas da Unopar. E nós sempre trabalhamos com o objetivo final dessas atletas servirem a seleção", aponta.
Essa presença constante de ginastas na seleção reforçou o nome de Londrina também como referência da modalidade no Brasil, tanto que a cidade foi a casa da seleção nacional adulta de conjunto por 10 anos, entre 1994 e 2004. Na época, Bárbara Laffranchi era a técnica.


