France PressePreparativosEnquanto os mecânicos da Ferrari davam os toques finais nos carros, os dirigentes travavam um grande duelo de papéis nos boxes A Fórmula 1 já viveu momentos de acusação múltipla entre as equipes, mas provavelmente nunca na história da categoria tantas escuderias desconfiaram tanto de suas concorrentes. O que parecia ser um simples protesto da Ferrari contra a McLaren transformou ontem o final de tarde no autódromo de Interlagos. Foi fácil a direção de prova se perder diante de tantas reclamações oficiais: A Ferrari protestou contra a McLaren, a Williams e a Jordan. A Arrows, protestou contra a McLaren e a Williams. Já a Sauber e Minardi ficaram contra a Jordan. Por fim a Tyrrell se contentou em reclamar apenas da McLaren. Os treinos livres começam hoje.
Os representantes dessas equipes se movimentavam com papéis para cima e para baixo em Interlagos, causando pela primeira vez tráfego de documentos na direção de corrida. O diretor técnico da Jordan, o irlandês Gary Anderson, disse ter sido informado de que sua equipe, a Williams e a Jordan não poderiam treinar hoje usando seus sistemas de freios. Os comissários não confirmaram a sua versão. As três são acusadas de usarem freios irregulares. O sistema além de caracterizar um auxílio extra à pilotagem, proibido pelo regulamento, atua como se fossem quatro rodas esterçantes e não apenas as dianteiras, também não admitidas. Cargas distintas sobre as rodas traseiras facilitam o contorno de curva, como se as quatro rodas direcionassem o veículo. Essa é a argumentação dos que protestaram.
O sistemas da Jordan e da Williams são embrionários se comparados à eficiência do utilizado pela McLaren. Mas por questão de coerência, os três estão sentados no banco dos réus. Já em Melbourne, na abertura do campeonato, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) deu seu parecer sobre o sistema, não caracterizando-o como ‘‘quatro rodas esterçantes’’. Agora todos vieram munidos de melhor argumentação.
É essa patente que a Ferrari e as outras equipes estão usando para convencer a FIA que sua interpretação está equivocada. Como não pode estar caracterizada as ‘‘quatro rodas esterçantes’’ se a própria Mercedes, associada à McLaren, a chama dessa forma? A decisão dos comissários sai hoje à tarde, mas a tendência é de que as três acusadas - McLaren, Jordan e Williams - não usem em seus carros hoje, nas sessões livres, o polêmico sistema de freios.

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