Genebra, Suíça - O governo de Santa Catarina está próximo de fechar um acordo para levar o GP do Brasil de Fórmula 1 para o estado a partir de 2015, colocando um fim ao evento em São Paulo, no Autódromo de Interlagos, depois de mais de 20 anos de presença no calendário da categoria. A negociação está próxima de um acerto, de acordo com fontes próximas à Formula 1 Management (FOM).
Com uma pista elaborada por Hermann Tilke, o mesmo que projetou os circuitos de Bahrein e Abu Dabi, o governo do estado pretende incrementar o turismo da região, atraindo torcedores de automobilismo também da Argentina, país que desde 1998 não conta com uma etapa da Fórmula 1.
Durante a última corrida em São Paulo, no final do ano passado, o presidente da FOM, Bernie Ecclestone, debateu o assunto com o ex-prefeito Gilberto Kassab (DEM) e principalmente com o prefeito que acabava de ser eleito, Fernando Haddad (PT). Mas não houve resultados práticos e as verbas para a modernização de Interlagos não foram incluídas no orçamento da Prefeitura.
A alternativa seria um autódromo que ainda terá de ser construído dentro do parque de diversões Beto Carrero World, em Penha (SC). A ideia ganhou força na FOM depois que o próprio Ecclestone foi levado ao local por Alex Murad, proprietário do empreendimento e filho de Beto Carrero.
Uma decisão final ainda não foi tomada pela FOM. Mas a paciência de Ecclestone com a Prefeitura de São Paulo já estaria se esgotando diante da falta de um plano concreto para financiar uma ampla reforma de Interlagos. A cúpula da Fórmula 1 estima que a prefeitura teria de gastar US$ 120 milhões pelas obras que colocariam a cidade dentro dos padrões internacionais.
A reforma de Interlagos é uma velha disputa entre a Prefeitura e a Fórmula 1. No primeiro semestre de 2012, um projeto foi elaborado e entregue a Ecclestone, que o aprovou e assegurou que a cidade permaneceria no calendário até 2022 se as obras fossem realizadas. Naquele momento, Kassab indicou aos organizadores da categoria que garantiria que as obras seriam feitas. Mas alertou que a decisão teria de ser ratificada pelo seu sucessor.
A vice-prefeita Nádia Campeão foi incumbida da negociação para renovação do contrato com a FOM por Haddad. Segundo Marcelo Rehder, presidente da SPTuris, a reforma de Interlagos está condicionada à renovação. O item principal das obras consiste na construção de boxes na reta oposta. Rehder afirma que o custo se situa entre R$ 120 milhões e R$ 140 milhões. "É quase mínima a possibilidade de que São Paulo perca a Fórmula 1". Além de Santa Catarina, pelo menos cinco cidades pelo mundo aguardam na fila caso o Brasil não tenha mais condições de receber a corrida a partir de 2015.
Flexibilidade
Murad espera que até março a FOM se manifeste sobre a aprovação ou não de seu projeto para a Fórmula 1, mas garante que, aprovado ou não, o autódromo - sonho de seu pai - será construído. O empresário diz que não é sua intenção substituir o GP em Interlagos e acredita que é possível a coexistência. Como argumento para convencer a FOM, Murad apresenta, além do projeto de Tilke, eventos bem sucedidos no kart e no motocross além do apoio dos políticos locais. O empresário oferece a possibilidade de construção de um hotel temático, além da proximidade da praia. (colaborou Valéria Zukeran, de São Paulo)

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