São Paulo, 27 (AE) - A 29ª edição do GP do Brasil foi uma das mais tumultuadas da sua história. Hoje, enquanto os equipamentos das equipes eram retirados do autódromo de Interlagos, bem como toda a estrutura criada para o evento sendo desmontada, alguns pilotos ainda lamentavam o fim de semana, a exemplo de Rubens Barrichello e David Coulthard.
Aconteceu de tudo nos três dias de competição: a decepção de quase 70 mil pessoas, com a desistência de Rubinho antes da metade da corrida, placas de publicidade que caíram sobre a pista, interrompendo a classificação, e o que deveria também ser uma festa política, acabou com o Prefeito sendo procurado pela Justiça. Para completar, o resultado da prova só foi conhecido seis horas depois da bandeirada.
O público, 68 mil pessoas, foi recorde de Interlagos. Momentos antes da largada, uma cena em especial impressionou até mesmo os frios profissionais da Fórmula 1, para quem a vida tem uma leitura bastante particular: um coro de milhares de vozes, vestindo roupas vermelhas, cantou o nome de Rubinho. Pilotos, mecânicos, dirigentes pararam por alguns instantes suas atividades apenas para acompanhar aquela manifestação de apoio e carinho ao ídolo, numa demonstração clara da demanda reprimida da nação por maiores conquistas na F-1.
O novo asfalto do circuito deveria receber a aprovação unânime dos pilotos e engenheiros. Acabou como o vilão do GP. Por conta das suas irregularidades cinco dos seis primeiros colocados por pouco não foram desclassificados. A prancha de madeira que há sob o assoalho dos carros de F-1 apresentou desgaste irregular na Ferrari de Michael Schumacher, McLaren de David Coulthard, Jordan de Heinz-Harald Frentzen e Jarno Trulli, e na Williams de Ralf Schumacher. Os comissários técnicos acataram a defesa, que citou as ondulações do asfalto como causa
e confirmaram o resultado.
Apenas Coulthard acabou punido, mas por outra razão, altura irregular dos minidefletores instalados nas laterais do aerofólios dianteiro. A McLaren apelou da decisão alegando de novo as irregularidades da pista. Elas teriam provocado vibrações as quais causaram o rebaixamento dos minodefletores. O asfalto de Interlagos, portanto, será o protagonista do julgamento do recurso da McLaren nas próximas semanas. Em São Paulo, o engenheiro inglês responsável pelo recapeamento do circuito, Wayne Wilson, disse que o curto prazo para a execução da obra (pouco mais de um mês) fez com que alguns trechos não ficassem mesmo perfeitos, como a Reta dos Boxes, mas que é possível recuperá-los.
Sábado, depois de estabeler a pole position, Mika Hakkinen comentou sobre a queda das placas, que interrompeu o treino três vezes: "Nunca vi isso na minha vida." O organizador do evento, Tamas Rohonyi, argumentou que depois de verificar o que tinha acontecido concluiu que um caminhão tocou nas placas, amolecendo as amarras. Em resumo: a edição do fim de semana da corrida em São Paulo alternou do recorde de público ao recorde de ocorrências, passando pelo recorde de pessoas decepcionadas que deixaram o autódromo.

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