Monza - ''Hoje é o dia mais bonito da minha carreira.'' Essa foi a histórica afirmação de Michael Schumacher, ontem em Monza, depois de vencer o GP da Itália. E olha que ele já foi campeão do mundo cinco vezes, ganhou 69 GPs, com o de ontem, e é o primeiro em quase todas as estatísticas da Fórmula 1, para que se tenha uma idéia da importância dedicada à vitória. Emocionado como em raras ocasiões, agradeceu da ''senhora que faz a limpeza na fábrica'' aos engenheiros.
''Conquistamos uma resultado crucial para continuarmos lutando por mais um título.'' Apesar de Schumacher ter voltado ao primeiro lugar do pódio, o que não ocorria desde o GP do Canadá, há seis provas, o campeonato está, na prática, longe de definido. Juan Pablo Montoya, da Williams, terminou em segundo, e Kimi Raikkonen, McLaren, em quarto. Só os três têm chances, agora, de serem campeões.
A matemática mostra que, dependendo do resultado do GP dos EUA, em Indianápolis, no dia 21, Schumacher poderá ser campeão lá mesmo. Depois restará apenas o GP do Japão, 12 de outubro, em Suzuka.
Boa parte dos 65 mil torcedores que foram ao autódromo estava espalhada pela reta dos boxes, tendo o pódio à sua frente, num cenário único da Fórmula 1. Comemoravam, com entusiasmo que só os tifosi têm, além da possibilidade real de a Ferrari ser campeã novamente, quinto título de construtores e quarto de pilotos consecutivos, a 50 vitória de Schumacher com os carros vermelhos.
O alemão lembrou, porém, que lá dentro, na pista, seu desafio foi maior do imaginado: ''Em primeiro lugar, errei na primeira chicane e quase perdi a liderança para Montoya na chicane seguinte.'' O colombiano saiu colado a sua Ferrari e na segunda chicane, della Roggia, os dois ficaram lado a lado. O público que acompanhava a disputa pelos telões do circuito ficou de pé. ''Foi uma luta dura, mas limpa, como as pessoas querem ver'', falou Schumacher.
Rubens Barrichello reclamou de que depois do primeiro pit stop, na 14 volta, seu carro não foi mais o mesmo.
''Eu conseguia acompanhar o Montoya de perto (um segundo e dois décimos) até parar. Depois, com os dois jogos de pneus seguintes, meu carro começou a sair de frente.'' De qualquer maneira, lembrou, ''voltar ao pódio, em terceiro, é melhor do que terminar no muro como nas duas últimas corridas.'' Na Hungria quebrou a suspensão traseira esquerda e na Alemanha, envolveu-se no acidente com Ralf e Raikkonen.
O outro brasileiro na Fórmula 1, Cristiano da Matta, da Toyota, levou um susto: na quarta volta, estava em 12º, mas na freada da Parabólica, em sétima marcha, a cerca de 300 km/h, o pneu traseiro esquerdo estourou. ''Senti uma vibração, sem saber o que era.'' Cristiano freou forte e foi parar na caixa de brita da Parabólica, sem bater.

RESULTADO

1º – Michael Schumacher, Alemanha, Ferrari,
53 voltas em 1h14min19s838 (247,585 km/h)
2º – Juan Pablo Montoya, Colômbia, Williams, a 5s294
3º – Rubens Barrichello, Brasil, Ferrari, a 11s835
4º – Kimi Raikkonen, Finlândia, McLaren, a 12s834
5º – Marc Gené, Espanha, Williams, a 27s891
6º – Jacques Villeneuve, Canadá, BAR, a uma volta
7º – Mark Webber, Austrália, Jaguar, a uma volta
8º – Fernando Alonso, Espanha, Renault, a uma volta
9º – Nick Heidfeld, Alemanha, Sauber, a uma volta
10º– Giancarlo Fisichella, Itália, Jordan, a uma volta
11º– Zsolt Baumgartner, Hungria, Jordan, a duas voltas
12º– Nicolas Kiesa, Dinamarca, Minardi, a duas voltas
13º– Heinz-Harald Frentzen, Alemanha, Sauber, a três voltas

Pilotos

1º Michael Schumacher - 82
2º Juan Pablo Montoya - 79
3º Kimi Raikkonen - 75
4º Ralf Schumacher - 58
5º Rubens Barrichello
e Fernando Alonso - 55
7º David Coulthard - 45
8º Jarno Trulli - 24
9º Mark Webber - 17
10º Jenson Button - 12
11º Giancarlo Fisichella - 10
12º Cristiano da Matta - 8
13º Heinz-Harald Frentzen - 7
14º Olivier Panis (FRA)
e Jacques Villeneuve - 6
16º Marc Gené - 4
17º Nick Heidfeld - 2
18º Ralph Firman - 1

Construtores

1º Williams - 141
2º Ferrari - 137
3º McLaren - 120
4º Renault - 79
5º BAR - 18
6º Jaguar - 17
7º Toyota - 14
8º Jordan - 11
9º Sauber - 9

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