GP da Austrália pode ser com chuva
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Livio Oricchio Agência Estado 
France PressePreparativosO alemão Michael Schumacher, da Ferrari, e o francês Jean Alesi, da Benetton, conversam nos boxesApenas hoje, das 23 horas à meia-noite (horário de Brasília), durante a definição do grid do GP da Austrália, tudo o que os testes de inverno sugeriram, como a menor diferença da Benetton, McLaren e Ferrari em relação a Williams, poderá ser comprovado ou negado. Os treinos livres realizados nesta madrugada não serviram de referência, já que nem todos treinaram nas mesmas condições. O campeonato pode começar de maneira surpreendente. A meteorologia prevê 80% de possibilidades de chuva e no asfalto molhado os carros equipados com pneus Bridgestone, como os da Prost Grand Prix, mostraram-se mais rápidos que os da Goodyear.
Chegou a hora da verdade: os 24 carros que forem à pista, basicamente no mesmo horário, estarão usando um mínimo de combustível e pneus novos. O que cada piloto buscará será exclusivamente velocidade, para largar o mais à frente possível. Dois grandes campeões mundiais, Alain Prost e Jackie Stewart, estréiam como chefes de suas próprias equipes.
Se na atmosfera o clima piorou, no autódomo Albert Park melhorou bastante ontem. Michael Schumacher e Ronald Walker, o promotor do GP da Austrália, estenderam a mão um ao outro, em público, num evento da Shell. Schumacher criticara o circuito enquanto Walker respondera que o alemão estava tentando desviar a atenção da Ferrari, em razão da sua fragilidade técnica. O piloto confirmou que no máximo lutará por pontos.
Nosso carro se tornará competitivo depois da três ou quatro corridas, afirmou. Sentado ao lado de Damon Hill, na sala de imprensa, Schumacher retomou o assunto da relação entre ambos, profundamante afetada depois das disputas de 95 e 96. Não dá para ser amigo quando se busca o mesmo espaço, mas também não somos inimigos, revelou Schumacher. Hill, também de ótimo humor, lembrou Schumacher que agora ele não tem mais esse problema. A Arrows está longe de ser uma equipe competitiva, não divideremos o mesmo lugar na pista, alegou como que dizendo agora não haver mais desculpas.
Dos três brasileiros inscritos na competição, Rubens Barrichello, da Stewart-Ford, é o que tem mais chances de conseguir um bom resultado. Hoje veremos se o nosso carro é mesmo bom como parece. Já Pedro Paulo Diniz reconhece que o verdadeiro potencial da Arrows-Yamaha não deverá ser o que será mostrado em Melbourne. Quase não pudemos treinar em razão de tantos problemas que tivemos com o câmbio e o motor.
O caso de Ricardo Rosset é ainda mais sério. A Lola-Ford aprontou seus carros à última hora. Apesar de tudo, se não enfrentarmos dificuldades técnicas, ou seja, pudermos completar as 12 voltas permitidas pelo treino, acho que dá para se classificar.


