GP Brasil, atração na Gávea mesmo sem os grandes craques
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sexta-feira, 13 de agosto de 1999
Por Maurício Ielo 
Rio, 14 (AE) - Há uma semana, o turfe brasileiro recebeu uma grande notícia. A melhor égua do País, Sweet Eternity, havia sido vendida para o turfe norte-americano, por uma soma que põe, definitivamente, o cavalo Puro Sangue Inglês nascido no Brasil como mercadoria de primeira qualidade no mercado internacional. Essa foi a parte boa da notícia. A parte ruim veio junto: a égua
vencedora em maio do GP São Paulo (G.I), havia sido retirada do GP Brasil.
Sem Sweet Eternity, que era a atração maior, a prova perdeu em qualidade. Afinal, a maior parte da primeiríssima turma do turfe brasileiro está nos Estados Unidos - casos típicos de Virginie, Funtastic e Beautiful Dancer - ou inativa nos haras e cocheiras, recuperando-se de sérios problemas físicos. O ganhador no ano passado, Quari Bravo, e o derby-winner paulista Ballxiza, são apenas dois dos vários nomes de primeira hoje nos estaleiros.
Os cavalos estrangeiros, tão comuns no passado, também estão fora. Seus donos, temerosos de cotejá-los com os brasileiros, preferem dizer que não foram convidados. Se o fossem, com certeza, recusariam. Mesmo sem a primeiríssima turma brasileira, hoje é difícil encontrar um cavalo argentino ou chileno com condições de bater os fundistas brasileiros.
No entanto, sem perder um único tostão do charme e da mística que o envolve, o GP Brasil é a atração maior deste domingo no turfe sul-americano. Seus R$ 214,5 mil de dotação total - R$ 130 mil ao proprietário do primeiro colocado - são mais do que atrativos. A questão do GP deste domingo, disputado desde 1933, é encontrar um cavalo que passe a ser o mais novo craque do turfe brasileiro.
Nomes em potencial não faltam: há, por exemplo, os três ganhadores das últimas versões do GP Cruzeiro do Sul, o derby carioca: Fool Around, Vernier e Chico Corredor. Aos 6 anos e já em fim de campanha, este GP Brasil pode ser a consagração final de Fool Around - assim como de Omnium Leader, outro representante da primeira turma carioca -, mas falta a estes dois animais, apesar de suas inúmeras vitórias e colocações clássicas anteriores, aquele algo mais para passar à história como grandes craques.
Por isso, a esperança do turfe brasileiro de encontrar um digno sucessor dos grandes nomes que estão em recuperação ou foram exportados está nos cavalos mais novos, de apenas 4 anos, com muito a oferecer: nessa relação entram nomes como os de Links of Glory, o vencedor em maio da milha do GP Presidente da República, em Cidade Jardim, ou de Chico Corredor, que, apesar de paulista, venceu o derby carioca, em abril, ou ainda Bacelar. Do lado carioca, há a esperança em animais novos, de muito futuro, como Humbie e Absolute Ruler.
Enquanto se espera pelo aparecimento de um craque absoluto - e o GP Brasil tem esse poder -, há bons animais de 5 anos ainda esperando sua vez: o paulista Aiortrophe e o carioca Official Report são os casos mais típicos.


