Governo planeja conselho para fiscalizar futebol
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terça-feira, 07 de novembro de 2000
Agência Estado Do Rio de Janeiro 
O Clube dos Treze ou mesmo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vão ter de submeter ao Conselho Nacional de Desporto (CND) a formatação dos próximos campeonatos brasileiros. A informação foi dada ontem pelo Ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles, durante solenidade na Associação Comercial do Rio de Janeiro. Ele explicou que o CND, a ser criado oficialmente em dezembro, vai ser um órgão normativo e fiscalizador e exigirá as justificativas para a inclusão na principal competição de futebol do País de um determinado número de clubes.
Melles chegou a afirmar que o ministério poderia até apoiar um campeonato paralelo se não houvesse um acordo com dirigentes de clubes e entidades. Mesmo se tiver de ficar algum clube de fora, vai ser preciso uma explicação aceitável. O CND deve ter 15 integrantes e será presidido pelo ministro.
Melles disse ainda que o órgão vai ter participação direta na escolha de eventuais parceiros internacionais para próximas campanhas que definirão as futuras sedes de Copas do Mundo.
A CBF nos pediu apoio ao Mundial de 2006, o governo foi a público dizer que investiria uma grande soma para trazer a competição para o Brasil; depois, a CBF negociou o voto para a África do Sul; isso não vai acontecer mais, prometeu o Ministro do Esporte e Turismo.
O ministro defendeu as duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), tramitando no Senado e Câmara, que investigam irregularidades no futebol. Para ele, é inquestionável a autonomia da CBF, mas como a entidade é ligada ao povo, o governo deve sim agir para, no mínimo, esclarecer dúvidas sobre um assunto relacionado ao bem-estar dos brasileiros.
Engana-se quem pensa o contrário, disse Melles. Ele considera a investigação no futebol um indício de que os torcedores, em geral, querem transparência. A CPI é um mau necessário, defendeu
Melles voltou a falar sobre o fim do Indesp (Instituto Nacional de Desportos), um órgão, segundo ele, que perdeu a credibilidade por preocupar-se com bingos.
Ele criticou a direção do Indesp, por não apoiar competições promovidas pelo ministério e pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). O Indesp tomava decisões não colegiadas, as quais a sociedade não reconhecia, afirmou.


