Brasília - O fracasso da Timemania é tão retumbante que o governo federal já pensa em mandar ao Congresso um projeto de lei para criar a Timemania 2, que adiaria o prazo para que os clubes de futebol comecem a pagar de forma integral suas dívidas federais, como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Imposto de Renda.
A lei da Timemania, pensada como uma forma de salvar os clubes de futebol que tinham dívidas federais de R$ 1,5 bilhão e não conseguiam pagar nada, estabeleceu que até fevereiro de 2009 eles poderiam desembolsar até o limite de R$ 50 mil por mês para quitar os impostos federais.
A partir de março, acaba o prazo de carência e eles passam a ser obrigados a pagar os impostos atuais integralmente, sob risco de serem excluídos do programa de refinanciamento da dívida em 20 anos - parcelas que serão quitadas com o dinheiro da loteria.
Quando a Timemania foi criada, os cálculos do Ministério do Esporte eram de que a arrecadação seria de cerca de R$ 500 milhões por ano, e que seriam repassados aos clubes R$ 110 milhões (22% do total).
Agora, de acordo com as projeções feitas pelo governo, a Timemania arrecadará no máximo R$ 124 milhões até fevereiro, o que significa repasse de R$ 27,28 milhões, ou menos de um quarto do valor estimado.
De acordo com cálculos de Wellington Moreira Franco, vice-presidente da Caixa Econômica Federal e responsável pelas loterias, alguns clubes que devem mais - como o Flamengo, cujas dívidas são calculadas em R$ 180 milhões - poderão ter de pagar R$ 800 mil por mês somente de impostos atuais.
Numa reunião realizada na Câmara dos Deputados, na quarta-feira, o ministro do Esporte, Orlando Silva, disse aos parlamentares que a Timemania não resolveu o problema da dívida dos clubes. E que o governo tem consciência de que a partir de março novos problemas de inadimplência vão começar, porque vários presidentes de clubes o procuraram para dizer que não terão o que fazer, a não ser que o governo adie o início da cobrança integral dos impostos.
Silva disse que alguma coisa tem de ser feita, nem que a saída seja uma segunda versão da Timemania, agora com maiores exigências para o clube se candidatar a rolar a dívida.
O deputado Sílvio Torres (PSDB-SP), que participou da reunião com Orlando Silva, disse ao ministro que, se for feito um novo esquema de salvamento dos clubes, novas exigências também terão de ser feitas.
"Um dos problemas da Timemania foi não ter criado regras para que o clube mostrasse transparência. Agora, em qualquer ato de ajuda que for feito, será exigido que eles tenham uma administração transparente e moderna, acabando com o sistema atual", afirmou Torres.
No ritmo em que a Timemania vai atualmente, serão necessários 50 anos e não 20 para que os times de futebol quitem os débitos federais passados.
Preço

Sílvio Torres acha que a Timemania fracassou porque os organizadores da loteria avaliaram mal o poder aquisitivo do torcedor, e puseram a aposta em R$ 2,00, preço maior do que a aposta simples da Mega-Sena, mesmo com o reajuste feito recentemente. O valor cobrado afugentou o torcedor.
De acordo com informações da assessoria da Caixa, as pesquisas feitas a respeito da loteria acabaram por não serem confirmadas na prática porque havia o sentimento de que torcedores fanáticos fariam muitas apostas.
Descobriu-se que, antes de ser torcedor apaixonado, o apostador prefere concorrer a grandes prêmios. Portanto, assim como ocorre com a Mega-Sena, que costuma acumular prêmios altos, a aposta só se concentra na Timemania quando o prêmio anuncia-se grande.
No início do semestre, o governo ofereceu cursos de gestão financeira aos dirigentes dos clubes de futebol. Queria que eles aprendessem a ter um rígido controle de suas finanças. Também não deu certo.

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