Governo estimula pesquisa
nas universidades estaduais

Joel Rocha
Lore Lamb, diretora geral do Cemepar: plano para a distribuiçãoAs universidades estaduais do Paraná estão passando por uma revolução tecnológica e científica com a política de medicamentos do Governo do Estado. Por meio de convênios, os laboratórios universitários começaram a produzir remédios em escala industrial para atender ao Programa Farmácia Básica. A estratégia tem trazido benefícios para as duas partes.
O governo compra medicamentos com preços até quatro vezes mais baixos que os do mercado, enquanto que as universidades aumentam a capacidade de produção e investem em pesquisas e aperfeiçoamento tecnológico. ‘‘Hoje, temos condições de promover um ensino de melhor qualidade, porque nossos alunos estão em contato direto com a produção. Com essa contribuição, a universidade participa de maneira mais concreta para o desenvolvimento do Estado’’, destaca a coordenadora do laboratório da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Sóstenes Rosa Valentini.
As mudanças começaram em 1995, quando a UEM teve de reestruturar o seu laboratório para aumentar a produção e atender à demanda. Os resultados são expressivos. Em 1994, por exemplo, a universidade produziu cerca de 100 mil unidades de dipirona (analgésico em gotas). No ano passado, quando a produção impulsionada pelo governo estava em pleno vapor, foram produzidas 8 milhões de unidades de remédios, em seis especialidades diferentes. Para isso, os investimentos foram de R$ 400 mil.
Este ano, a previsão é que o governo destine mais R$ 311 mil para a compra de medicamentos produzidos pela UEM. ‘‘O importante é que parte desse dinheiro é investido em melhorias’’, diz Sóstenes Rosa.
Os investimentos possibilitaram um aumento de 120 metros quadrados no Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão em Medicamentos e Cosméticos, responsável pela produção. Com isso, o número de estagiários do curso de Farmácia aumentou de quatro para 24 alunos. Os convênios também são responsáveis pela criação do laboratório para produção de medicamentos fitoterápicos (emulgel de calêndula e tintura de maracujá), que começam, em junho, a fazer parte do Programa Farmácia Básica.
Na Universidade Estadual de Londrina (UEL) a situação se repete. Os tipos de medicamentos produzidos passaram de seis para 14. A produção, que em 1993 era de 3,3 milhões de unidades, saltou para 14,6 milhões de unidades no ano passado. Os investimentos chegam a R$ 750 mil. Além da necessidade do governo, a UEL atende ainda ao Ministério da Saúde.
‘‘Agora estamos estudando a instalação de um centro de desenvolvimento de produtos, para podermos oferecer novos medicamentos à população’’, afirma o chefe da divisão administrativa do Laboratório de Produção de Medicamentos da UEL, Jadir de Paula Guimarães.

mockup