Governo e Atlético negam verba pública em contratação
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terça-feira, 11 de março de 2014
Rodrigo Batista e Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - A Fomento Paraná e o Atlético Paranaense negaram que a verba utilizada pelo clube para a contratação do lateral-direito Léo, atualmente no Flamengo, tenha origem no montante financeiro destinado pelo poder público para a obra de ampliação da Arena da Baixada. A verba seria de origem do próprio Atlético-PR, que teria injetado a verba na CAP/SA, que repassou o dinheiro na transação como pagamento.
A denúncia foi publicada na edição de ontem do jornal Folha de S. Paulo. A reportagem destaca que foram repassados, pela CAP/SA, empresa responsável somente pelas obras da Arena da Baixada, R$ 1,5 milhão para a compra de 50% do passe do lateral-direito Léo, que era jogador do Vitória (BA).
O mais curioso é que a transação ocorreu, segundo o jornal, no dia 26 de dezembro de 2013, época em que já havia problemas de falta de verba para a construção do estádio, conforme disseram os engenheiros do Atlético-PR, em entrevista coletiva concedida no final de fevereiro, após Curitiba ter sido reconfirmada entre as cidades-sede da Copa do Mundo.
Em nota, o Atlético-PR esclarece que, com a falta de recursos no final de 2013 para a Arena, o clube fez empréstimos à CAP/SA para que a obra continuasse em andamento. Na ocasião da transação, a empresa devia ao clube, segundo a nota, R$ 28 milhões, o que fez a CAP/SA repassar o montante para a contratação do atleta diretamente ao Esporte Clube Vitória. A transação, diz a nota, é legalmente reconhecida pelo art. 305 do Código Civil - "pagamento de dívida por terceiro, com posterior reembolso com a quitação parcial de mútuo".
O pagamento foi possível, ainda de acordo com a nota, por causa do repasse de uma parcela do financiamento ao clube para a Arena da Baixada, o que trouxe mais dinheiro público para a construção do estádio.
Já a Fomento disse, também em nota, que todos os recursos repassados à CAP/SA são auditados. "Todas as notas de prestação de serviço e compra de insumos são minuciosamente verificadas por uma equipe de auditores". A autarquia, que media o repasse de verba pública para o estádio, diz que confia que os recursos sejam utilizados exclusivamente para a obra, pois a verba é enviada "pós-medição e pós-auditoria". A autarquia, entretanto, não explicou se, com isso, o dinheiro chega para o clube apenas quando há certeza da aplicação da verba.
Repercussão
O governador Beto Richa comentou o fato após a polêmica gerada pela reportagem, retificando a nota da Fomento Paraná. "Toda liberação de recursos é feita só depois de toda a medição da obra ter sido realizada e além da medição a auditoria que acontece permanentemente nas obras da Arena da Baixada", diz Richa. Já o secretário para assuntos da Copa do Mundo, Mário Celso Cunha, afirma que estas transações não passam pela Secretaria da Copa e que é um assunto de competência apenas da Fomento e da CAP/SA.
Dentro da Assembleia Legislativa, o assunto gerou comentários dos deputados estaduais. Base do governo Richa no plenário, o deputado Alceu Maron Fiho (PSDB) disse que estuda enviar um requerimento à Fomento para esclarecer o assunto. "O dinheiro não pode ir para outro lugar senão para a Arena", declarou.


