As garantias oferecidas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obter recursos e financiar o restante das obras da Arena da Baixada, em Curitiba, não serão da gestora CAP S/A, mas do governo do Paraná. O órgão federal de fomento recebeu uma carta consulta para liberação de R$ 250 milhões, dos quais R$ 65 milhões devem ser destinados à reforma do estádio. Porém, a linha de financiamento é a BNDES Estados, que usa como caução o Fundo de Participação dos Estados (FPE), repasse anual da União às unidades da federação.
Na última semana, representantes do governo anunciaram que buscavam mais recursos para a conclusão da reforma, que ameaça tirar a capital paranaense da Copa do Mundo já nesta terça-feira (leia mais em texto nesta página). O estádio do Atlético-PR tem a obra mais atrasada, com previsão para que termine em 30 de abril, mas o dinheiro em caixa tende a acabar antes do Carnaval.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) já havia recomendado ao governo na última quinta-feira que não faça mais empréstimos à CAP S/A, enquanto a gestora da obra não encaminhar ao órgão o orçamento final, o cronograma físico-financeiro e as justificativas para alterações no projeto do estádio. O ofício foi direcionado ao governador Beto Richa, ao diretor-presidente da Fomento Paraná, Juraci Barbosa Sobrinho, ao secretário de Estado de Assuntos da Copa, Mário Celso Cunha, e ao prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet.
A falta de informações inviabiliza novo financiamento pelo ProCopa Arenas, programa do banco para os estádios do Mundial. Conforme a assessoria de imprensa do BNDES, a carta consulta sobre o empréstimo ao governo do Paraná chegou ao órgão na última quarta-feira. "O Estado solicita R$ 250 milhões por meio da linha BNDES Estados, que financia investimentos e despesas de capital das unidades da federação", informa, em nota.
O pedido foi feito por meio do Programa Emergencial de Financiamentos aos Estados e ao Distrito Federal, segundo a assessoria da Fomento Paraná. Mesmo que a análise do empréstimo e a liberação do dinheiro sejam feitas a toque de caixa, os recursos precisariam passar pelo governo, pela agência de desenvolvimento econômico e então chegariam ao tomador do empréstimo, a CAP S/A. Porém, segundo a assessoria de imprensa da Fomento Paraná, a gestora da obra ainda não requisitou mais recursos.
Após o novo pedido de aporte de R$ 65 milhões, a conta já está em R$ 330 milhões, quase o dobro do que constava na apresentação inicial da previsão de gastos, de R$ 184 milhões. Do primeiro orçamento, o valor deveria ser dividido igualmente entre clube, governo estadual e prefeitura.
Na tentativa de resolver o problema, técnicos da empresa Pricewatterhouse Coopers apresentaram na última sexta-feira o resultado de auditorias nas contas e nos projetos da arena, que poderia ser usado para embasar novos empréstimos e será encaminhado ao TCE. Porém, a Fomento Paraná informou que todas as informações seriam de uso interno e não serão divulgadas.

Curitiba na Copa
O coordenador Geral da Copa no Paraná, Mario Celso Cunha, acredita que o governo não terá problemas para capitalizar a Fomento Paraná, mas que há outras alternativas. Porém, afirma que não poderia falar pelo órgão.
Questionada se o Estado poderia fazer o empréstimo dos R$ 65 milhões que faltam à CAP S/A com recursos próprios, para depois cobrir a despesa com parte dos recursos destinados à Fomento Paraná, a assessoria do órgão respondeu que não pode comentar a hipótese. A Secretaria da Fazenda do Estado foi procurada, mas a assessoria de imprensa informou que apenas representantes do Fomento Paraná e da Secretaria para Assuntos da Copa do Mundo 2014 poderiam comentar o caso.

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