Governo admite abrir cofre para garantir Copa
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quarta-feira, 09 de maio de 2007
Folhapress 
Rio - Depois de o governo federal bancar mais da metade da conta do Pan, o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., admitiu ontem abrir os cofres novamente para viabilizar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Logo após participar do seminário promovido pelo comitê de candidatura, criado pela CBF, Silva informou que o dinheiro público vai financiar uma série de obras na ''área de infra-estrutura e de serviços públicos'' para o Mundial.
''Competirá ao governo federal, junto com Estados e municípios, sobretudo, investimentos nestas áreas. Estou falando de transporte, portos, aeroportos, comunicação e segurança pública. Tarefas estas típicas do Estado'', afirmou o ministro, que é o maior pagador do Pan, que será em julho no Rio.
Inicialmente, o governo federal bancaria apenas 33,8% do orçamento dos Jogos, que era cinco vezes menor no início da candidatura. Hoje, já é responsável por mais da metade da conta, que subiu mais de 400% - saltou de R$ 523,8 milhões para cerca de R$ 3 bilhões. Segundo estimativa da secretaria federal do Pan, R$ 1,43 bilhão deixa os cofres da União para cobrir os custos do evento.
O ministro não informou uma estimativa de orçamento para obras governamentais caso a Fifa escolha o Brasil, em novembro, para sediar o Mundial. Na Alemanha, só o gasto com estradas foi de 4 bilhões de euros, o dobro do preço dos estádios.
Segundo Silva Jr., além das obras, o governo federal também cuidará de questões referentes a ''medidas administrativas, como autorização para o trabalho de estrangeiros, direito autoral da Fifa e de ordem tributária''. A entidade exige alterações nas leis brasileiras.
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, confirmou ontem que precisa de apoio financeiro público para a Copa no Brasil. ''Todos os governantes estão dispensados de contribuir com a candidatura. Numa Copa, cada seleção paga sua estadia. Já os campos terão de receber investimentos privados. O único trabalho do governo será oferecer transporte público de qualidade, saúde e outras coisas'', disse ele, que também fez uma estimativa de gastos.
Sobre a participação da iniciativa privada, Teixeira disse que as empresas bancariam ''todos os grandes projetos'', referindo-se à construção de novos estádios no país.
Único candidato a Copa de 2014, o Brasil tem que entregar o caderno de encargos aos dirigentes da Fifa até 31 de julho. Na reunião de ontem, o presidente da CBF informou que aguarda até o dia 31 de maio informações de todos os governos para enviar as candidatas a sedes. No seminário, 19 Estados enviaram representantes. Mas só entre 10 e 12 receberão jogos do Mundial.
De acordo com contratos que integram o caderno de encargos, o governo brasileiro e o comitê organizador arcarão com quase todas as despesas e entregarão o controle da organização e das finanças à Fifa.
Teixeira informou que atualmente nenhum estádio brasileiro pode receber o Mundial. Ele não confirmou se o Morumbi e o Maracanã serão apresentados pelo país como estádios da Copa. ''Vejo com dificuldade (os dois estádios). Os administradores dizem que vão me apresentar projetos. Vou aguardar'', disse Teixeira.


