Gols, assédio e polêmica: 2010, o ano em que Neymar explodiu
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domingo, 26 de dezembro de 2010
Valéria Zukeran<br>Agência Estado 
São Paulo - Talento, técnica, títulos, seleção brasileira, gols e polêmica. Todas as palavras acima fizeram parte do ano de Neymar, escolhido o destaque masculino da Pesquisa Estado 2010.
A temporada começou bem para o jogador, que marcou 14 gols no Campeonato Paulista, ficando atrás apenas dos artilheiros Ricardo Bueno e Rodriguinho, que fizeram um a mais. Neymar formou um trio com Paulo Henrique Ganso e André que marcou nada menos do que 38 dos 61 gols do Santos em 23 jogos do Estadual.
O desempenho fez com que o jovem fosse cogitado para uma vaga na seleção brasileira que iria lutar pelo hexacampeonato na Copa. Embora não faltasse defensores da convocação do atacante ao lado de Ganso, o técnico Dunga não se deixou seduzir pelo futebol ousado do jovem que acabava de atingir a maioridade.
Apesar da decepção por ter de ver o Mundial pela TV, Neymar não se abateu e continuou a ser o pesadelo das defesas na Copa do Brasil, onde o jogador terminou como artilheiro, com 10 gols.
Em agosto, o Santos recebeu uma proposta milionária do Chelsea, da Inglaterra. Tudo indicava que, mesmo sem participar da Copa, o jovem atacante tomaria o rumo de todos os craques revelados pelo Brasil: a Europa. Mas o caso teve uma reviravolta inesperada. Neymar surpreendeu. Fez um acordo com a diretoria da Vila para explorar sua imagem, ganhou um aumento de salário e anunciou o ''fico'', em um momento raro na história recente do futebol brasileiro.
Se Dunga, que não conseguiu levar o Brasil ao hexacampeonato mundial, rejeitou Neymar, seu substituto, Mano Menezes, fez o contrário, Em sua primeira convocação no comando da seleção, o técnico não abriu mão de chamar o atacante e alçá-lo ao posto de principal atração de uma seleção renovada.
Polêmica
Pouco tempo depois de anunciar sua permanência no Santos começaram os problemas disciplinares. No jogo contra o Atlético-GO pelo Campeonato Brasileiro, o atacante quis cobrar um pênalti marcado a favor da equipe. Foi impedido pelo técnico Dorival Júnior e o capitão do time, o volante Edu Dracena e, contrariado, distribuiu ofensas a ambos. O caso ganhou repercussão pela exposição da situação ao vivo, pela TV, e virou uma grande dor de cabeça para a diretoria santista.
No dia seguinte Neymar pediu perdão a Dorival e Edu. Ainda magoado, o técnico pediu o afastamento do jogador por duas partidas como punição. O jogador ficou de fora do confronto contra o Guarani e, pela vontade do treinador não seria relacionado para o clássico contra o Corinthians. A diretoria do Santos, no entanto, preferiu demitir o técnico antes do confronto.
De jovem talento, o atacante ameaçava criar a reputação de garoto problema. A situação não passou despercebida de Mano Menezes que não demorou a passar seu recado: no convocação seguinte ao episódio deixou o jovem astro de fora.
O jogador passou a aparecer mais por seu futebol vistoso do que pelos problemas disciplinares. Voltou a ser convocado por Mano e terminou o Campeonato Brasileiro como vice-artilheiro, com 17 gols. ''Cometi alguns erros que não quero repetir em 2011, mas dou uma nota 9 ao meu ano'', comentou ao fazer uma retrospectiva.


