São Paulo - Por anos, foi a elite. Depois veio o mercado empresarial. Agora é a vez de a classe média engrossar o time dos golfistas, convertidos que encontraram no esporte uma forma, ainda que meio solitária, de eliminar o stress. A quantidade de praticantes tem crescido de 12% a 15% por ano e o País já tem 25 mil golfistas.
São Paulo é de longe a cidade com mais estrutura para tornar realidade o sonho dos aficionados de popularizar o golfe. ''Não esperamos que a maioria da população pratique, mas que ao menos entenda o esporte'', afirma o presidente da Federação Paulista de Golfe, Márcio Mendes de Melo.
A capital tem três campos oficiais de 18 buracos, seis drives (espaços para treinar tacadas longas) e lojas especializadas como a Absolute Golf, aberta no mês passado no Shopping Iguatemi. Sem falar nos 57 campos do Estado, alguns bem perto da cidade, como o Golf&Tênis Alphaville, aberto em outubro. E dos projetos de drives como o Villa-Lobos Golf Center, que deverá ser inaugurado em abril perto do parque da zona oeste, ao custo de R$ 5 milhões, e do Corporate Golf Club, em Santana do Parnaíba, o primeiro do País voltado só para empresas, orçado em R$ 15 milhões.
A federação tem feito sua parte. Só o drive da entidade, perto do Aeroporto de Congonhas, recebe por mês 150 interessados. No Golf&Gym, na Barra Funda, a média sobe para 600. Segundo o dono, Jacques Wladimirski, 60% dos clientes são de classe média.
É o caso de Marcelo Teixeira, dono de duas oficinas mecânicas. ''Sempre pensei que golfe era coisa para milionário e fresco, mas descobri que nem sai tão caro assim. Meu perfil nunca foi pra isso, tenho tatuagens, uso brinco e lutava boxe. Mas não sou exceção hoje em dia'', afirma Teixeira. ''Só que também acontece de eu ficar chamando o cara de Toninho na partida e depois descobrir que ele é presidente de banco.''
Nem sempre a adaptação é tão tranquila. ''Os jogadores da elite sacam na hora que você não pertence à mesma classe social e te ignoram um pouco. Tive que encarar um clima frio por alguns meses'', conta o engenheiro de som Claudinei Monteiro, que começou a jogar em 2004. Mas ele garante que essa fase hostil já passou. ''Principalmente nos drives tem muita gente de classe média. Além disso, a oferta de clubes também está crescendo, dando opções para todo mundo.''
Os custos para manter-se no esporte também ainda não são exatamente convidativos. As aulas para iniciantes o indicado é ter 50 antes de sair a campo sozinho saem em média por R$ 50 a hora. Fora isso, os clubes cobram uma taxa que varia de R$ 50 a R$ 400 por dia para ter licença para jogar em campos privados, o chamado green fee. Isso para os não-sócios.
Quem quer virar sócio pode se preparar para gastar. Em alguns casos, gastar muito. Estima-se por exemplo que um título do Villa Trump, que está sendo construído em Itatiba pelo empresário americano Donald Trump, custará de US$ 350 mil a US$ 500 mil. ''O preço do green fee é o que me guia hoje. Quem é apaixonado faz qualquer sacrifício para jogar'', afirma Mário Carneiro, que revende veículos. Por mês ele chega a gastar R$ 1 mil para jogar três vezes por semana. ''Corto gastos para ir a torneios.''

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