Rio de Janeiro - O sucesso de Jefferson no Botafogo não é o único caso de destaque de um goleiro no Campeonato Carioca. Os guarda-metas dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro vêm se destacando mais do que a maioria dos craques de seus times, e há até um goleiro de fora da capital fazendo bastante barulho. Diego, do Flamengo, Kléber, do Fluminense, Cássio, do Vasco, e Lugão, do Volta Redonda, também têm nas mãos as esperanças de seus times não só no Carioca, mas também no restante do ano, e muito mais em comum do que se imagina à primeira vista.
O alvinegro é o mais incensado. Jefferson tem apenas 22 anos e já vem jogando entre profissionais desde os 17, quando era tido como ''sucessor'' de Dida no Cruzeiro. O atual titular do Milan ainda é seu ídolo, mas o jogador do Glorioso cresceu e aprendeu em que características precisa se diferenciar.
''Uma coisa que venho buscando neste ano é liderar. Sempre fui como o Dida, caladão, mas agora estou buscando essa liderança e isto tem me motivado mais. Isto, para mim, pode me levar à seleção brasileira'', conta o alvinegro, que divide sua máxima em relação à sua vontade de aprender. ''Sempre observo os outros goleiros, como o Dida e os próprios goleiros daqui do Rio. O homem inteligente aprende com os próprios erros, mas o homem sábio aprende com os erros dos outros''.
Paulista de origem, Jefferson roubou do tricolor Fernando Henrique a vaga de titular da seleção brasileira Sub-20 no Mundial de 2003. Fernando Henrique perdeu lugar também para Kléber, o mais experiente da turma. O niteroiense, que passou nove anos no Goiás e jogou também no Botafogo, é amigo de Jefferson desde os tempos em que jogava pelo Atlético Mineiro e o enfrentava frequentemente.
Kléber acabou virando o mestre ''ancião'' do grupo. Além de dividir quarto com Fernando Henrique, que é seu reserva e pupilo, mantém contato com o goleiro alvinegro e com Diego, que também mora em Niterói. Para ele, o seu papel não é nada ingrato.
''Se eu tivesse alguém para me dar uns toques quando tinha a idade deles e passando por isso, teria sido ainda melhor. Tento passar o meu exemplo para eles, para quando chegarem na minha idade, ainda estarem em uma grande equipe. Se você perde o foco de um ano pra outro, acaba saindo'', explicou o goleiro.
Diego aprecia o carinho do ''vizinho''. Ele diz que sua geração está mostrando algo novo. ''Acabamos com aquele preconceito antigo de que você precisa ser mais velho e rodado para ser titular em um grande clube'', afirma o titular rubro-negro.
O guarda-metas do Flamengo tem feito um bom trabalho, mas a cobrança sobre ele é uma das maiores dentro do grupo. Afinal, Diego substituiu ninguém menos que Júlio César, último ídolo do clube. Jefferson se identifica bastante com o companheiro de posição, já que passou pela mesma situação no Cruzeiro, com Dida.
Outro a entrar no lugar de um ex-ídolo foi Cássio, que assumiu a condição de titular do Vasco após a saída de Fábio. No começo deste ano, ele perdeu temporariamente a posição para Everton, mas voltou recentemente e se firmou.
Cássio é mais afastado dos goleiros dos três principais times do Rio, mas admira a todos eles. Ele tem uma trajetória diferente também: passou por vários times pequenos, como Olaria, Macaé e América, até chegar ao Vasco. A transição, segundo ele, não foi difícil.
''Saí com tranquilidade. Esperava uma chance e ela aconteceu. Procurei os bons exemplos dentro do clube, como o própro Fábio, e continuei agindo da mesma forma que antes, me esforçando dentro e fora de campo para retribuir o carinho dos torcedores vascaínos'', explica Cássio.

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