Goleiros brasileiros ganham respeito mundial
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Agência Estado 
São Paulo - Rogério Ceni, do São Paulo, foi eleito o craque das últimas duas edições do Brasileirão. Marcos é o principal nome do Palmeiras. Felipe acabou nos braços da torcida corintiana sábado, na festa do acesso. Fábio Costa, após mais de 90 dias machucado, brilhou nas duas últimas partidas do Santos. Enquanto isso, Victor, do Grêmio, Fábio, do Cruzeiro, Bruno, do Flamengo, são outros destaques do futebol nacional. E, na Europa, todos começam a se render às defesas dos goleiros do Brasil.
''Quando eu jogava, nunca ouvi dizer que um brasileiro iria para a Europa. Lá, só diziam das escolas argentinas e uruguaias, das quais nunca vi. Agora, temos três goleiros em grandes equipes da Itália (Julio Cesar, na Internazionale, Dida, no Milan, e Doni, na Roma)'', lembrou Valdir Joaquim de Morais, de 77 anos, ex-goleiro da seleção e do Palmeiras, hoje consultor do técnico Vanderlei Luxemburgo. ''Temos os melhores goleiros. Muitos em alto nível no País, com Marcos e Rogério Ceni à frente de todos.''
Valdir Joaquim de Morais foi quem deu o pontapé inicial, ainda nos anos 70, para que os goleiros brasileiros brilhassem no mundo. Afinal, foi ele quem implantou a figura do treinador de goleiro nos clubes. ''Na minha época, para jogar no gol tinha de ser bom, pois só tinha fera nos nossos campos'', contou Félix, tricampeão mundial na Copa do México em 70, antes de falar, com orgulho, de ver atletas da posição conquistando corações. ''A evolução da categoria está sendo grande e temos de parabenizar o senhor Valdir.''
Ado, ex-goleiro do Corinthians nos anos 70 e reserva de Félix na Copa de 70, também faz questão de elogiar um goleiro em atividade no Brasil: o corintiano Felipe. ''Teve recuperação maravilhosa após cair com o clube. É um revés que muitos não conseguem dar a volta por cima. Ele se levantou com méritos'', afirmou.
Outro ex-corintiano, Solitinho (hoje é preparador de goleiros no Pão de Açúcar, clube de São Paulo) disse que, antes, os europeus pensavam que espetáculo era só marcar gols. ''Por isso não levavam os goleiros, com medo que fechassem o gol lá e atrapalhassem'', explicou.
Taffarel, o primeiro brasileiro a se aventurar com sucesso em gramados europeus - foi para o Parma em 1990, logo após a Copa da Itália -, revelou que muitos outros goleiros daqui irão brilhar lá fora no futuro próximo. Ele não poupa elogios para Fábio (Cruzeiro) e Victor (Grêmio), considera Marcos e Rogério Ceni excepcionais, mas diz que Julio Cesar é a bola da vez na seleção.
Outros goleiros ganham destaque na Europa atualmente, com Renan (Valencia), Diego Alves (Almería), Helton (Porto), Gomes (Tottenham), Rubinho (Genoa) e Diego Cavalieri (Liverpool). ''A tendência é ir uns quatro, cinco por ano para a Europa'', avisou o ex-goleiro e atualmente empresário Gilmar Rinaldi. ''Eles descobriram que temos talento.''


