O dinamarquês Peter Schmeichel, goleiro adversário da Seleção Brasileira na partida pelas quartas-de-final, sexta-feira, em Nantes, tem um sonho que, se realizado, vai deixar o paraguaio José Luis Chilavert com uma ponta de inveja. Schmeichel quer ser o primeiro goleiro a marcar um gol na história de todos os mundiais. O brasileiro Taffarel pode ser a vítima.
Na verdade, a vontade de ser goleador por um dia surgiu antes do jogo contra a Nigéria, uma goleada por 4 a 1, pelas oitavas-de-final, em Saint-Denis. O capitão Schmeichel, de 34 anos, conversou com o atacante Michael Laudrup e fez um pedido. ‘‘Se estivermos com um placar favorável e houver um pênalti a nosso favor, eu serei o cobrador’’, conta o goleiro. A goleada veio, mas não o pênalti.
Ao contrário de Chilavert, o dinamarquês nunca marcou um gol em sua carreira pela Seleção Dinamarquesa. Quer tirar o incômodo zero nas estatísticas nos jogadores do time brasileiro. Pelo Manchester United, clube que defende na Inglaterra, Schmeichel, de 1,93 m de altura e 96 quilos, já marcou um gol, de cabeça.
Scheimechel, além de capitão e comandante da Dinamarca, é o queridinho do técnico Bo Johansson. Transformou-se também no porta-voz dos amigos. Após a vitória contra a Nigéria, o goleiro foi o mais elogiado pelo treinador. Mais até mesmo que os atacantes. ‘‘Quando a Dinamarca faz excelentes atuações é porque Schmeichel estava à nossa disposição’’, comenta Johansson.
Schmeichel está fazendo sua estréia em uma Copa do Mundo. Pela idade, provavelmente disputará sua última também. ‘‘Nossa classificação para as quartas-de-final foi algo fantástico para um país tão pequeno como a Dinamarca’’, afirma o goleiro. A confiança cresceu ainda mais nos últimos dias e a cobrança de uma vitória contra os brasileiros praticamente não existe. ‘‘Se perdermos nada vai acontecer, mas, se ganharmos, seremos a surpresa do século’’, acredita.
Schmeichel, remanescente da conquista da Eurocopa de 1992, atua no Manchester United. Teve o passe comprado pelo clube inglês, em 1991, negociado por cerca de US$ 1 milhão. Até então, jogara apenas em clubes dinamarqueses e dividia o futebol com um emprego de vendedor de anúncios de jornal e o trabalho em uma pequena loja da World Wildlife Fund, organização não-governamental que defende animais. No Manchester, colecionou vários títulos e fez sua estréia na equipe nacional em 1987, uma goleada por 5 a 0 contra a Grécia. Mantém uma elogiada carreira de mais de 10 anos defendendo a Dinamarca.
Schmeichel, que tem o apelido de ‘‘Milkman’’ por ter participado de uma milionária campanha publicitária de uma empresa de laticínios, fez 103 partidas oficiais. Contra a Nigéria, bateu um recorde que era de Morten Olsen, com 102.

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