O semblante triste do goleiro Geraldo, apontado como um dos culpados pela derrota diante da Desportiva, era o retrato mais fiel da desolação dos jogadores do Londrina nos vestiários do Estádio Engenheiro Araripe, em Cariacica. Geraldo se acomodou em uma das poltronas do ônibus que levou a delegação de volta ao Hotel Costa do Sol, situado no município de Vila Velha, um dos polos da Grande Vitória (ES). O goleiro permaneceu em silêncio.
Nos corredores do hotel, situado em frente ao mar, os companheiros de Geraldo, não menos perplexos que ele, andavam de um lado para outro. Alguns, como Nelsinho, Alemão, Beto, Valder e China, sentaram-se em um canteiro na entrada do prédio. Quase não se falavam. Ventava muito naquela noite.
Nelsinho forçou uma brincadeira qualquer para descontrair o ambiente. Ninguém reagiu. Ou melhor: Alemão sorriu timidamente quando disseram a ele que o baixinho queria trazer 30 cocos verdes no avião. Chico, morador de Vila Velha e compadre de Marquinhos Capixaba, conseguiu encaixotar apenas dez. O volume estava enorme. Seria impraticável despachar a encomenda. Para complicar, a água vazou e os cocos ficaram secos.
No trajeto de ida ao estádio, lá pelas 19 horas, Mauro, Alaor e Renan - chamados de ‘o trio parada dura’ pelos colegas - cantarolaram músicas estilo dor-de-cotovelo e comandaram a farra no final do corredor do ônibus. No começo da madrugada, porém, os três estavam absolutamente calados em uma das poltronas no saguão do Costa do Sol.
No aeroporto da capital Vitória, distante 20 quilômetros de Vila Velha, Geraldo continuava isolado. Durante o vôo, preferia ler. Na escala de Congonhas (SP), antes da conexão para Londrina, o goleiro ouviu as primeiras palavras de apoio de Valder e Ivanildo, solidários a ele.
Ao contrário do que aconteceu contra a mesma Desportiva, quanto assumiu a culpa pelo 1 a 0 favorável ao adversário, no primeiro confronto da primeira fase, Geraldo não acha que tenha falhado anteontem. ‘‘Subi e dei um soco na bola, que prensou entre o pescoço de um atacante deles e do Ivanildo. A bola sobrou livre pro cara marcar’’, lamenta o goleiro. ‘‘Podem me acusar de tudo, mas jamais diriam que não sou um profissional honesto. Reconheci meu erro naquele jogo do Café, lembram? Aí ganhamos do Remo lá fora e me chamaram de herói. Defendi pênaltis, como aquele que nos deu a vaga contra o ABC. Garanti muitas vitórias ao Londrina. Já se esqueceram de tudo?’’

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