Quando Cláudio André Taffarel Mergen nasceu, em 8 de maio de 1966, Gilmar dos Santos Neves preparava-se para encerrar, dois meses depois, no Mundial da Inglaterra, a mais vitoriosa carreira de um goleiro na Seleção Brasileira. Hoje, 32 anos depois, o gaúcho Taffarel pode igualar a condição do antigo jogador, se o Brasil ganhar, no domingo, o título da 16ª Copa do Mundo. A final representará para ele mais um recorde: ultrapassará o alemão Sepp Maier como o goleiro que mais partidas atuou na história da competição.
Taffarel, revelado pelo Internacional-RS, é o goleiro que mais vezes defendeu a Seleção Brasileira - 98, pelas estatísticas da Fifa, que só considera os jogos entre seleções; mais de cem, pelos critérios, mais flexíveis, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Como Cláudio, ele integrou todas as seleções de base da entidade, até chegar ao título mundial de juniores, em 1985, na União Soviética, num time que tinha ainda Muller e Silas. Ele foi ainda campeão pan-americano, em 1987, nos Jogos de Indianápolis.
A estréia na seleção principal, com o técnico Carlos Alberto Silva, foi no dia 7 de julho de 1988, quando o Brasil venceu a Austrália por 1 a 0, no Torneio do Bicentenário da Austrália, em Melbourne. Exatos dez anos depois, ele foi o maior responsável pela classificação da seleção para a decisão da Copa do Mundo da França, ao defender dois pênaltis na série decisiva diante da Holanda, pelas semifinais, na terça-feira.
Criticado por muitos, Taffarel, com raros intervalos, tem sido o titular da Seleção nestes dez anos. Foi assim com Carlos Alberto Silva, Sebastião Lazaroni, Falcão, no único jogo com o interino Ernesto Paulo, com Carlos Alberto Parreira e Zagallo. Mesmo contestado, ele sempre mostrou uma característica marcante: ser eficiente nas decisões por pênaltis.
Nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, defendeu uma cobrança da Alemanha durante o jogo, pelas semifinais, e duas na série decisiva, levando o Brasil à decisão. Na final da Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994, defendeu a cobrança do italiano Daniele Massaro, pondo o Brasil em vantagem. Nas quartas-de-final da Copa América de 1995, defendeu duas cobranças da Argentina, ajudando o time a chegar às semifinais. E, anteontem, defendeu os chutes dos holandeses Cocu e Ronald de Boer.
Os maus momentos também não foram poucos. Em 1991, na Copa América do Chile, foi criticado por sofrer três gols de cabeça na derrota por 3 a 2 para a Argentina. Em 1993, falhou feio no primeiro gol da derrota para a Bolívia, por 2 a 0, em La Paz. O lance foi nos minutos finais de um jogo em que defendera um pênalti. Os bolivianos, que marcaram o segundo gol logo depois, quebraram um tabu: o Brasil nunca perdera um jogo válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo.
O título dos Estados Unidos não o livrou das críticas. Ainda mais depois que, nos meses seguintes à Copa norte-americana, ficou jogando de centroavante num time de paróquia na Itália. Sem chances no Parma e com o passe devolvido pela Regianna, transferiu-se para o Atlético-MG.
Na Copa América de 1995, no Uruguai, sofreu um gol de falta do uruguaio Pablo Bengoechea, da meia-lua, com a bola entrando no ângulo. Ainda assim, foi criticado, principalmente porque o Brasil perdeu o título para o time da casa nos pênaltis. O crítico principal foi o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Magoado, o goleiro decidiu não mais vestir a camisa da Seleção.
Zagallo respeitou a decisão de Taffarel. Mas, assim como seus antecessores que tentaram um substituto, acabou por recorrer ao antigo titular, quase dois anos depois. Campeão da Copa América na Bolívia, Taffarel pensou que finalmente teria tranquilidade para preparar-se para o Mundial da França.
Mas o Atlético-MG contratou o técnico Émerson Leão, um dos grandes goleiros da história da Seleção, reserva em 1970 e 1986 e titular nas Copas de 1974 e 1978. Leão, que nunca escondeu a preferência por outros jogadores da posição, como Zetti, Ronaldo e Velloso, chegou a barrar Taffarel, efetivando Paulo César Borges como titular do time mineiro.
Uma contusão de Paulo César levou o técnico a devolver o posto a Taffarel. O time mineiro foi quarto colocado no Campeonato Brasileiro e campeão da Copa Conmebol. Leão aceitou um convite do Santos. Sem a presença do técnico, o goleiro decidiu permanecer no Atlético, de onde acaba de desligar-se. Vai para o Galatasaray, da Turquia.
Endeusado por alguns, cobrado por outros, ele tem também admiradores entre os que conhecem a posição. Um deles é o treinador de goleiros da Seleção, Wendell Ramalho, ex-Botafogo, Fluminense, Santa Cruz, Guarani e Seleção. Outros são Ronaldo, ex-Corinthians, hoje no Fluminense, e André, do Internacional.

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