Goleiro e zagueiros preocupam times semifinalistas do Estadual
Fernando Tupan Marcos Freitas
Dos encontros deste domingo entre Coritiba x Atlético e Paraná Clube x Malutrom sairão os dois finalistas do Campeonato Paranaense de 1999. Para evitar uma derrota, os treinadores procuram articular jogadas mirabolantes durantes os treinos. Os goleiros trabalham separados com seus preparadores e os técnicos cuidam da defesa, do meio-de-campo e do ataque. O primeiro pedido para os jogadores é sempre não levar gol - depois vem a organização do resto.
O objetivo de todo goleiro é não levar gols. No Paraná, quem cuida dos guapos é o professor Noslen Costa Mehl; no Malutrom, Sebastião Koslovski, o Pardal, ex-Pinheiros; no Coritiba, Joel Mendes, ex-Coritiba e Santos; no Atlético, o professor Almir Domingues, que tem um livro publicado sobre diferentes formas de preparar o guarda-valas.
Esse cuidado excessivo com Régis, do tricolor; Rondinelli, do caçula; Gilberto, do coxa branca; e Flávio, do rubro-negro, visa diminuir o número de erros. Antes de iniciar qualquer coletivo, o pessoal da meta fica treinando saída do gol, saída de jogo, tiro de meta e posicionamento com seus preparadores.
Os zagueiros não têm um treinador especial como os goleiros. Geralmente os treinadores procuram provocar situações de jogos, como a defesa titular contra o ataque. A ordem é entrosar o conjunto, com a realização de vários sistemas diferentes de preparação, como o treinamento alemão, bitoque e outros fundamentos.
O time do Atlético tem muitas qualidades - e defeitos. O goleiro Flávio sai muito bem do gol, tem reflexos rápidos, repõe a bola com rapidez e é arrojado. Mas, quando o adversário vai cobrar uma falta, a torcida treme porque se lembra de dois jogos da Copa do Brasil, contra o Cruzeiro e o Botafogo, quando o goleiro aceitou dois gols, um anotado por Bebeto e outro por Valdo.
O lateral-direito Alberto tem pontos altos e baixos durante os noventa minutos. O alto está quando apóia e encara o adversário. O fraco quando cruza. Luizinho Neto vai bem ao ataque, tem um chute forte, faz gols mas peca na hora de cruzar. A torcida espera que o pé de Luizinho entre na forma para voltar a marcar gols de falta.
Reginaldo é o símbolo da raça atleticana, o xerifão. O zagueiro não gosta de brincar em serviço e raramente pratica faltas violentas - característica do rubro-negro. No jogo aéreo também se sai bem, ganhando a maioria das jogadas. O principal problema de Reginaldo é na saída de bola, aliás o mesmo do seu companheiro Gustavo, bom antecipador. Devido a sua estatura, Gustavo vence a maioria dos duelos nas jogadas aéreas.
No lado do Paraná, o preparador de goleiros, Noslen Mehl diz que para ser goleiro é preciso gostar, porque o trabalho é duro. Ele é o mais sacrificado. Se leva gol e o time perde, sempre é culpado. Se defende penalidades, nada mais fez do que sua obrigação.
Régis, apontado como o melhor goleiro do futebol paranaense, tem boa estatura, sai bem do gol e é arrojado, com uma vantagem: sabe defender penalidades como ninguém. Impossível esquecer aqueles dois que defendeu na Copa Sul Brasileira, contra o Atlético, que levaram o tricolor ao vice campeonato da competição.
O lateral-direito Wilson é um jogador clássico. Vai ao ataque sem medo, cria situações de gols, mas erra na hora dos cruzamentos. Edinan, novo titular do lado esquerdo, mostrou qualidades como apoiar e cruzar bem e chutar com ambos os pés.
Milton do Ó, zagueiro que pode ser negociado com o Corinthians, é um jovem valor com qualidades de veterano. Domina o jogo aéreo, arrisca ir ao ataque nos escanteios, mas peca na saída de bola. O mesmo problema tem seu companheiro Adílson, que compensa com bom posicionamento e dificilmente perde no jogo aéreo.





