Goleiro é boa opção para contra-ataque na Seleção
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2000
Por Silvio Barsetti 
Londrina, 21 (AE) - O goleiro Silvio é um dos principais trunfos da seleção brasileira para os contra-ataques e, por isso
tem sido treinado quase à exaustão para não socar as bolas cruzadas sobre a área. O preparador de goleiros Paulo Cesar Gusmão insiste nos treinos para que Silvio saia do gol com confiança, não largue a bola e, dependendo da situação de jogo, a reponha imediatamente com os pés ou as mãos. "Ele é ótimo na reposição", analisa.
Faz parte do esquema tático do técnico Wanderley Luxemburgo a visão de jogo do goleiro para que ele tente o lançamento a Ronaldinho ou Fábio Júnior. De acordo com Paulo César, os dois atacantes da seleção estão instruídos a se deslocar toda vez que Sílvio interceptar um cruzamento e ficar com a bola.
Tanto Ronaldinho como Fábio Júnior, nessas jogadas, correm em direção ao campo do Brasil para atrair o marcador e, em seguida, dão um pique para o lado oposto, na expectativa de poder receber um lançamento de Silvio e surpreender a defesa adversária. "O Silvio e o Fábio Costa estão soltando muito a bola, algumas até fáceis, e isso vem sendo corrigido", comenta Paulo Cesar, citando também o goleiro reserva da seleção.
Após os treinos normais, Paulo Cesar utiliza uma bola de dois quilos, a medicinibol, para aperfeiçoar na dupla a capacidade "de encaixar" as bolas lançadas sobre a área ou chutadas a gol. "Isso fortalece a musculatura das mãos, dos dedos, do antebraço e do peitoral." Embora elogie Silvio pela tranquilidade e outros aspectos, Paulo César diz que falta "explosão" ao titular - entendendo-se explosão não como motivação ou vibração. "Falo da força explosiva da musculatura, que precisa reagir no menor tempo possível a um estímulo, como num chute forte a pouca distância."
O preparador de goleiros também cobra de Silvio mais agilidade e velocidade. Inicialmente, Fábio Costa é que seria o titular do time. Mas como ele se apresentou com problemas físicos e técnicos e uma verminose, perdeu a oportunidade. Os rebotes de Silvio no jogo com o Chile, segundo Paulo Cesar, refletem uma certa intranquilidade do goleiro, pelo peso da estréia. "Numa delas, porém, foi o que ele poderia ter feito, já que o chute foi forte, a poucos metros." Embora seu preparador observe algumas falhas e tente corrigi-las nos treinos, Silvio parece pouco humilde quando fala de si. "Não tem fundamento nenhum que eu precise melhorar."


