Toronto - O Brasil se viu envolvido em uma delicada questão diplomática durante os Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. O goleiro da seleção de polo aquático, Thye Mattos Bezerra, foi acusado ontem pela polícia local de ter abusado sexualmente de uma canadense de 22 anos. O Comitê Olímpico do Brasil (COB) se colocou à disposição das autoridades para colaborar na apuração do caso e tomou as primeiras providências.
"Contatamos um advogado daqui de Toronto para se preparar para qualquer necessidade, contatamos o consulado brasileiro e falamos com o Ricardo de Moura, chefe da delegação em Kazan", esclareceu Marcus Vinícius Freire, diretor executivo de Esportes do COB.
O atleta está com a delegação brasileira na Rússia para a disputa do Mundial de Esportes Aquáticos. De acordo com Joanna Beaven-Desjardins, inspetora de crimes sexuais da polícia de Toronto, a prisão e extradição de Thye dependem da relação política entre os países. "Daremos sequência ao processo, temos os melhores investigadores da América do Norte envolvidos no caso, coletamos todas as evidências exigidas e ao mesmo tempo trabalhamos para trazê-lo de volta para enfrentar as acusações".
No Canadá, a legislação não diferencia estupro de assédio sexual e a pena máxima é de 15 anos de prisão. O suposto abuso teria ocorrido na manhã de 16 de julho, um dia depois da derrota da equipe na final. Thye estava na casa da vítima acompanhado de um amigo, que até o momento não é considerado suspeito. Eles não usavam uniforme da delegação brasileira.
O jogador teria entrado no quarto da jovem enquanto ela dormia e abusado sexualmente dela. A acusação foi feita quando o atleta já havia deixado o Canadá, mas o nome da canadense não foi revelado.
A polícia de Toronto mostra preocupação com o ocorrido e teme a existência de outras vítimas. "Ele passou duas semanas em Toronto. A sua foto foi divulgada publicamente e, se alguém cruzou com ele ou tem mais informações sobre o caso, entre em contato", pediu Joanna Beaven-Desjardins.
Em nota, o COB aponta que a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos tem de ajudar a prestar os esclarecimentos e diz que exige dos atletas um "comportamento impecável".
"O Comitê Olímpico do Brasil condena qualquer comportamento que envolva violência ou abuso", escreveu o COB, em nota. "O COB exige de seus atletas um comportamento impecável, lembrando-lhes sempre que, quando viajam ao exterior, representam o seu país".

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