Magaliesburg - Nada como uma vitória por 7 a 0 em uma Copa do Mundo para mudar totalmente o ambiente de uma seleção. Não importa que o adversário seja inexpressivo. Portugal sentiu essa transformação ontem, dia seguinte à goleada sobre a equipe da Coreia do Norte. As críticas ao time e ao técnico Carlos Queiroz, feitas nos dias que se seguiram ao empate em 0 a 0 contra a Costa do Marfim, desapareceram. Ninguém falou mais da rebeldia do brasileiro naturalizado português Deco contra o treinador moçambicano que dirige o elenco ibérico e nem da insatisfação de jogadores barrados. E já há quem considere os portugueses favoritos na partida da próxima sexta-feira contra o Brasil.
A confiança é grande. A euforia também. Preocupação maior de Queiroz, ontem e nos próximos dias. ''Precisávamos de uma exibição e de uma vitória como a contra a Coreia (do Norte), mas vamos ser realistas. A partida contra o Brasil vai ser muito difícil, complicada'', disse o treinador.
Ele já pedira aos jogadores para colocarem os pés no chão ainda no vestiário do Estádio Green Point, na Cidade do Cabo, e vai alertá-los para que não se deixem levar pelo entusiasmo de torcida e imprensa. Jornais portugueses estamparam manchetes como ''Perfeito'', ''Futebol do outro mundo'' e ''Portugal no sétimo céu'' e vários torcedores que assistiram ao treino dos reservas em Magaliesburgo já falavam até no ''título inédito'''. Na África do Sul também se falou, nas ruas e nos jornais, maravilhas da exibição de Cristiano Ronaldo e cia.
Existe, porém, arestas a ser aparadas. Muitos jogadores da seleção lusa ainda não engoliram as críticas recebidas após o fraco futebol da estreia e não parecem dispostos a esquecê-las. ''Engraçado, há uma semana éramos os piores, depois dos 7 a 0 parece que somos os melhores'', desabafou, irritado, o lateral-esquerdo Duda, ao ser questionado se tinha consciência de que o resultado sobre os norte-coreanos foi histórico para o futebol português.

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