OPINIÃO
LUIZ CLAUDIO
OLIVEIRA
Goleada no Atletiba
Ninguém esperava. Nem mesmo o mais fanático torcedor atleticano desconfiaria que, depois daquela má apresentação na primeira partida, o Atlético venceria de goleada o Coritiba no segundo jogo das finais. Tudo bem uma vitória, mas de goleada...
Jogando água fria na festa atleticana, esta é uma vitória que representa bem o que foi todo o campeonato. Vale, mas vale pouco. O Atlético, que pouca vantagem na primeira fase, terá também pouca vantagem agora. Joga pelo empate na próxima partida, que acontecerá na quinta-feira à tarde. Mas uma vitória do Coritiba por 1 x 0 leva a decisão para a prorrogação. O saldo de gols não vale nada. A fórmula não premia o gol.
O Atlético já fez 69 gols. Ganhou três turnos dos quatro disputados até aqui neste campeonato. Na contagem geral, está com 11 pontos à frente do Coritiba. Tem ainda a melhor defesa, o melhor goleiro e o artilheiro - Tuta - que apesar de estar afastado por contusão mantem a liderança. E, apesar de tudo isso, pode perder o campeonato com apenas uma derrota na próxima partida da decisão.
Nélio e Brandão
Nélio, pelo Atlético, e Brandão, pelo Coritiba, novamente foram dois dos principais protagonistas do Atletiba. O jogo estava em um a zero quando Brandão entrou na partida e empatou tudo. O predestinado Brandão, que parece ter nascido para fazer gol no Atlético, assustou a torcida rubro-negra ao empatar a partida no início do segundo tempo. Mas aí veio a estrela de Nélio que mais uma vez fez um gol impossível, como já havia acontecido no primeiro Atletiba. Desta vez, algo que deve ser inédito, fez um gol olímpico com a bola rasteira. Uma falha incrível da defesa alviverde que ontem sentiu muito a ausência de Gelson Baresi.
Edinho Baiano
O zagueiro Edinho Baiano foi chamado de velho pelos paranistas quando o Atlético o contratou. E agora está aí, correndo feito um menino e jogando um futebol de gente grande. Não contente em ser um ótimo defensor, foi também para o ataque e dos pés dele deu-se o início da goleada atleticana. Joga muito.
O técnico e o poeta
‘‘Que enche muitos papéis cheios de esquemas fantásticos’’. Não, infelizmente, a frase não se refere ao técnico Zagallo, que ainda não tem nenhum esquema definido para a Seleção Brasileira. A citação é de um verso de ‘‘Elegias Amorosas’’, do poeta inglês John Donne, contemporâneo de Shakespeare e especialista em poesia profana, que, depois, se converteria e se tornaria padre. Por aqui, ficamos torcendo para que Zagallo converta-se também e em vez de profanar nossa tradição futebolística transforme em poesia a incredulidade do torcedor. Como diz o Chico Buarque, ficamos na torcida pelos jogadores, apesar de tudo.

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