Coritiba e Atlético Paranaense vão disputar a liderança da Copa Sul Brasileira no próximo domingo, mas, independente de quem vença e desponte como um dos líderes do Sul, os dois times já estão se configurando como grandes forças no futebol brasileiro. E o crescimento dos clubes, dentro e fora de campo, foi impulsionado justamente depois de um Atletiba, há quatro anos.
No dia 16 de abril de 1995, o Couto Pereira foi palco de um jogo histórico entre os dois rivais. Em partida válida pelo Campeonato Paranaense, o alviverde goleou o rubro-negro por 5 a 1. Depois do jogo, o Atlético, que estava em crise, com salários atrasados, começou a mudar. O presidente Hussein Zraik pediu demissão e nas rádios o então conselheiro Mário Celso Petraglia dava declarações de que isso nunca mais aconteceria.
Pouco depois, Petraglia assumiu o comando do clube e iniciou um trabalho de profissionalização. Salários foram colocados em dia, novos jogadores foram contratados e o time chegou ao título, no mesmo ano, de campeão brasileiro da segunda divisão.
Depois, vieram o Centro de Treinamentos e a nova Baixada, que está para ser inaugurada. A diretoria promete que os atleticanos vão ter o estádio mais moderno e confortável da América do Sul. O time conseguiu o título estadual do ano passado.
O crescimento do Atlético influiu também no rival. O Coritiba, que foi vice da segunda divisão em 95, para não ficar atrás também investiu mais na profissionalização, construiu um Centro de Treinamentos e tem procurado montar times cada vez melhores.
Apesar de só um título desde então, o de Campeão do Festival Brasileiro de Futebol, no ano passado, o time mostra que está mais perto de uma conquista. É o que dizem os próprios jogadores, como o atacante Basílio. ‘‘O Coritiba de hoje é bem mais estruturado e profissional do que em 95, quando fui contratado. A gente sente que o time vai ganhar logo um título.’’
O Atlético mudou da água para o vinho desde que foi goleado pelo Coritiba por 5 a 1, há quatro anos, com três gols do atacante Brandão. O salário dos jogadores estava atrasado. Toda semana chegavam novos e desconhecidos jogadores, e o time de Sérgio Cosme era levado a campo com muitas improvisações.
Em 99, o rubro-negro não vive os mesmos problemas. A escalação vem se repetindo desde de janeiro. A diretoria apostou numa equipe jovem, com poucos nomes conhecidos. O salário dos jogadores está atrasado há um mês. Apenas dois jogadores chegaram para dar mais experiência ao time: Sandoval, que no ano passado estava no Coritiba, e Wagner, do Palmeiras, que disputou o Brasileiro pelo Flamengo.
O diretor de futebol, Samir Haidar, é categórico: ‘‘Nós nos profissionalizamos. Mas sem a passagem de Zraik, o Atlético não seria o Atlético de hoje’’.

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