A sensação de que o estádio estava caindo em sua própria cabeça foi sentida duas vezes no curto intervalo de 15 dias. Naquele exato momento que ouviu os gritos atleticanos, um momento de celebração após o gol de empate aos 46 minutos do segundo tempo, Raul Plassmann viu, na mesma velocidade de um replay indesejado e agonizante, sua equipe ser penalizada da mesma maneira que fora contra o Coritiba, na fase de classificação, também no Estádio do Café. A imprevisibilidade do futebol aprontou de novo com o Tubarão e impediu que pela primeira vez no ano derrotasse uma equipe considerada de primeiro escalão. ''Parece que o estádio vai desabar. Mas não é a primeira vez, e também acho que não será a única. Passei por momentos iguais quando era goleiro. E a gente não se acostuma nunca'', resignou-se o treinador do Tubarão.
O empate não alterou em nada o quadro de classificação para as finais do Campeonato Paranaense. O Furacão continua possuindo a vantagem do empate. Já o Londrina terá de vencer no próximo domingo, na Arena da Baixada, para voltar a uma decisão de estadual depois de 12 anos.
Após o jogo, Raul parecia preocupado em deixar claro em suas palavras que a igualdade de ontem não deu números finais ao confronto. ''Ficou bem mais difícil é claro. Se tivesse vencido hoje (ontem) nossas chances seriam maiores, dependeríamos de um empate lá. Mas o jogo é de 180 minutos, e temos o segundo tempo, e o local de jogar pra gente pouco importa'', disse o ex-goleiro, ignorando de uma certa maneira o fato de jogar na Arena, local que os atleticanos consideram sua equipe quase imbatível.
Desta vez, as explicações passaram longe das respostas mais óbvias e habituais, do tipo ''faltou sorte'' ou ''não merecíamos perder'', frequentes após um resultado decepcionante. Raul foi no cerne da questão: os problemas físicos do time foram decisivos. ''O time estava morto no final. Infelizmente tive que tirar dois jogadores em função da condições físicas, eles estavam cansados. E não tinha ninguém nas mesmas características para colocar. Acho que estes problemas foram determinantes para o resultado'', avaliou.
No primeiro tempo, o time jogou bem e venceu com gol de falta do meia Nem, aos 14 minutos, o quinto dele no Estadual. Teve ainda duas grandes oportunidade de ampliar, com Carlos Alberto e Cahê. No segundo tempo, o time sentiu o desgaste físico, o que facilitou ainda mais o trabalho do Atlético. Exausto, Léo foi substituído. Nem, idem. Carlos Alberto teve de ser carregado para fora de campo com forte cãibras. Cahê, que correu muito no primeiro tempo, também sentiu cansaço no segundo.
O preparador físico Luiz Guilherme Bérgamo disse que alguns jogadores estão sentindo mais durante os jogos porque foram contratados durante a competição. Ele citou os casos de Cahê e Léo. Disse também que analisará o problema do lateral Carlos Alberto.

Em Londrina

Londrina 1

Marcelo; Carlos Alberto, Thiago Matias, Rodrigo e Réferson; Rocha, Rogério (Jean), Eduardo Neves e Nem (Luizinho Cascavel); Léo (Márcio) e Cahê. Técnico: Raul Plassmann

Atlético 1

Diego; Alessandro Lopes, Rogério Corrêa e Igor; Willian (André), Alan Bahia, Fernandinho, Jádson (Fabrício) e Marcão; Ilan e Washington (Bruno). Técnico: Mário Sérgio

Árbitro: Francisco Carlos Vieira
Estádio: Do Café
Renda: R$ 49.369.00
Público total: 8.979
Gols: Nem (14 minutos do 1º tempo) e Ilan (46 do 2º tempo)

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