São Paulo, 27 (AE) - Vencer o Palmeiras foi a redenção para os reservas corintianos e para o treinador improvisado Édson Cegonha que arriscou colocar um time que não treinou, com o ex-junior Marcelo na zaga. Desacreditados depois da derrota para o Fluminense, eles se vingaram da própria torcida e da imprensa que os desprezaram no domigo. Se sentiram vivos de novo no torneio Rio-São Paulo.
"Eu precisava de uma partida dessas. Ninguém sabe o que passei nesses últimos meses. Corria sozinho no Parque São Jorge quando não tinha treino para tentar recuperar o meu futebol. Fazer o gol contra o Palmeiras foi fundamental para a torcida voltar a acreditar em mim. Tenho condições de jogar por esse time. Me sinto outro depois dessa vitória", desabafava Augusto.
O lateral fez questão de comemorar seu gol correndo em direção da torcida Gaviões da Fiel, que havia se recusado a gritar o seu nome quando foi anunciada a escalação corintiana. "Agora estamos em paz", sentenciava.
Fernando Baiano que não marcava gol no Corinthians desde o dia 19 de setembro, contra o Grêmio pela Mercosul, também fez questão de subir no alambrado, na frente da Gaviões da Fiel. "Foi terrível passar esse tempo todo sem marcar. As chances apareciam, mas a bola não entrava. O gol me reabilita para mim mesmo. Marcar contra o Palmeiras revigora qualquer carreira. Aos poucos estou voltando a ser o jogador que eu era quando apareci no time profissional."
Édson Cegonha explicava porque resolveu escalar três zagueiros, incluindo de surpresa o ex-junior Marcelo. Ele havia ficado impressionado com a maneira rápida que o Palmeiras jogou no ataque contra o Vasco da Gama. "Eu vi o ataque palmeirense e cheguei à conclusão que tinha de colocar três zagueiros para não dar espaço. Eles tinham velocistas como o Euller, Pena e Asprilla. Não tinha outra saída. Confiei bastante no Marcelo e a participação dos três zagueiros foi fundamental para a nossa vitória."
Quanto à importância psicológica da vitória, Cegonha foi firme. "Eu nunca desconfei dos jogadores que tenho nas mãos. Mas precisávamos vencer para que o time ganhasse mais confiança no Rio-São Paulo. Tinha o caso do Augusto. Eu havia pedido para ele não dar entrevistas falando do momento ruim que vivia. Isso só pioraria a situação para ele. Mas esse jogo foi ele tudo que precisava para voltar a mostrar o que sabe."
O jovem Marcelo, 20 anos, comemora a sua primeira partida profissional. "Foi uma fogueira, mas não tinha como dizer ao treinador que não jogaria. Entrei com toda a vontade. Os meus companheiros e o meu treinador me deram toda a força. Jogar contra o Palmeiras sempre teve um gosto especial desde os tempos de garoto. Estrear no profissional vencendo esse clássico foi maravilhoso", comemorava.
Mas havia espaço para os magoados no vestiário. "Bom esta aí a vitória dos reservas do Corinthians contra os titulares do Palmeiras. Muita gente duvidava da gente. Taí a resposta. Vão falar o quê?", perguntava irritado Dinei. "Está na hora da torcida e da mídia acreditar mais no time B corintiano. Nós temos o nosso valor. Ganhar do Palmeiras não é para qualquer um", afirmava Edu.
Está marcada uma conversa especial com Daniel. O lateral disputou três partidas com a camisa do Corinthians e foi expulso em duas. "Eu já o havia avisado. Vou conversar de novo com o Daniel. A saída dele aos 25 minutos do segundo tempo poderia Ter nos custado a vitória", desabafa Cegonha, que sabia o quanto o Corinthians precisava vencer o clássico de hoje (27).

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