Gol de Oseas explode a Vila Olímpica
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Edmundo Inagaki 
Xô, segunda divisão! O grito que estava atravessado na garganta da torcida do Paraná Clube ecoou forte e emocionado pelas arquibancadas da Vila Olímpica do Boqueirão assim que o árbitro paulista Oscar Roberto de Godói apontou para o centro do gramado e determinou o final da partida contra o Flamengo.
A vitória paranista por 2 a 1 e o empate (1 a 1) salvador do Palmeiras diante do América Mineiro, no Estádio Independência, em Belo Horizonte, gol do ex-atleticano Oseas, selaram a sorte dos destemidos guerreiros tricolores - jogadores e integrantes da comissão técnica que colocaram seus corações no bico das chuteiras e partiram para a luta de vida ou morte contra o terrível monstro da Segundona.
Kraw PenasNo intervalo do jogo, com Arinélson garantindo a vantagem parcial do Paraná sobre o rubro-negro carioca, a preocupação maior era com o resultado de Belo Horizonte, desfavorável ao Verdão. Tenho certeza que o Palmeiras vai virar o resultado para cima do América e, para completar, vamos vencer o Flamengo por 3 a 0, dois gols do Fernando Diniz. O time está jogando bem. Só precisamos controlar o excesso de nervosismo e aí tudo vai dar certo, disse o mecânico Marcelo Mello, 28 anos.
A fragilidade do placar mínimo estava estampada em cada rosto anônimo. O nervosismo era disfarçado de várias maneiras: roer unhas, conversar com o companheiro de sofrimento ao lado, beber cerveja e engolir um gorduroso pão com bife eram os artifícios mais comuns.
Kraw PenasTensão na VilaO comerciante Sandro, o mecânico Marcelo e o volante Silveira: torcedores do Paraná sofrem até o gol salvador de Oseas, do Palmeiras, contra o América MineiroEncostado no alambrado, com o inseparável radinho de pilha colado ao ouvido, o comerciante Sandro Luiz Camargo, 29 anos, mal conseguia desviar os olhos do espetáculo para prestar atenção na entrevista-relâmpago. A bola rolando no segundo tempo em Curitiba e o pensamento positivo dividido, viajando mentalmente para as Minas Gerais.
O Paraná está fazendo a sua parte. Agora só falta os palmeirenses fazerem a parte deles contra o América. Ainda não entendi porque o Palmeiras entrou com o time reserva lá em BH. Será que tem algum acerto?, perguntou Camargo, desconfiando de algum esquema mirabolante de corrupção para rebaixar seu tricolor. Não acredito que vamos cair para a Segunda Divisão. Mas, se isso acontecer, não vou abandonar o time, garantia ele, tentando melhorar a sintonia do rádio.
O tempo passa, torcida brasileira! Balão subindo, descendo na área do Paraná Clube, sufoco que foi aliviado pelo capitão Hélcio, agora transformado em deus da raça tricolor. Esse tá jogando muito. Veio do Coxa, mas gosta de jogar com a nossa camisa, reconheceu o mecânico Mello.
Quando o volante uruguaio Gabriel Silveira estufou as redes de Clêmer, marcando o segundo gol do Paraná, a torcida uniformizada Gralha Azul, a menor da cidade, com seus dez integrantes adolescentes, explodiu de alegria. Olê, leô, é tri-co-lor.
Nunca vi os jogadores com tanta vontade de vencer. Se o time estivesse jogado assim desde o começo do campeonato não estaríamos nessa situação, dependendo do resultado dos outros para continuar na Primeira Divisão. Depois desse jogo de hoje, não seia justo o Paraná ser rebaixado, pediu Pedro Delson M. Júnior, 15 anos.
Vitória consumada, o meia Cairo desabafou: Para nós, foi como se ganhássemos um título.


