Gol de Kaká reacende polêmica sobre uso de tecnologia no futebol mundial
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
Sílvio Barsetti e Luiz Antônio Prósperi<br>Agência Estado 
Johannesburgo - O gol marcado por Kaká na decisão da Copa das Confederações, que não foi validado pela arbitragem, reacendeu a discussão sobre a necessidade ou não de recursos eletrônicos, como teipe da TV, serem utilizados para esclarecer situações polêmicas no decorrer de um jogo de futebol. Durante entrevista coletiva, ontem, em Johannesburgo, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, teve de se alongar sobre o assunto, já que jornalistas de várias partes do mundo citaram o gol fantasma do astro brasileiro na final para questionar o dirigente e a própria entidade.
No lance mais polêmico da final da Copa das Confederações, disputada no último domingo, em Johannesburgo, Kaká fez um gol de cabeça quando o Brasil perdia por 2 a 1 dos Estados Unidos. A bola foi rebatida pelo goleiro Howard depois de passar da linha, mas o lance prosseguiu normalmente, mesmo com a reclamação dos jogadores brasileiros para a arbitragem. Apesar disso, a seleção conseguiu a virada e venceu por 3 a 2, conquistando o título da competição.
Pelas regras do jogo, não podemos levar essa tecnologia para o campo. Se algum dia houver uma mudança, que seja apenas para elucidar casos da linha do gol, em que haja dúvida se houve ou não o gol. Mas essa discussão não está fechada, disse Blatter. Ele mencionou dois exemplos que podem servir para diminuir a margem de erro dos árbitros. Primeiro, a bola com um chip, experiência testada, sem sucesso, num torneio de clubes no Japão.
De acordo com o presidente da Fifa, o uso desse recurso eletrônico na bola pode ser reeditado em outras competições, embora ele mesmo pareça um pouco cético quanto ao resultado. Uma coisa é certa. Sempre haverá erros que fazem parte do futebol, um esporte mais humano por causa disso, disse Blatter. Uma outra medida seria a de levar a campo dois árbitros, que se comunicariam por um transmissor, na tentativa de diminuir os erros durante os jogos.
Avaliação
Para Blatter, a África do Sul levou nota 7,5 pela organização da Copa das Confederações. Ele disse esperar que o país receba, ao final do Mundial do ano que vem, a nota máxima (10). Admitiu de novo problemas de transportes, com muitos congestionamentos, e de hospedagem, mas garantiu que o governo local está empenhado em resolver tudo e a tempo.
Estou muito satisfeito e muito contente, disse Blatter, no balanço final da Copa das Confederações. Sabemos que há questões logísticas que precisam ser trabalhadas. Há problemas de transporte e hotelaria. Não vamos ocultá-los. Este é um tema especial porque a África do Sul espera uns 450 mil visitantes durante a Copa do Mundo, torcedores de todo o mundo que querem encontrar um lugar onde dormir. Não será fácil acampar porque será inverno e, além do mais, devem viajar de uma sede a outra. Este é um grande desafio.
O secretário geral da Fifa, Jerome Valcke, que também estava presente na entrevista coletiva, lembrou que a Copa só será um sucesso se os torcedores de outros países se mostrarem satisfeitos com a infraestrutura sul-africana.
De qualquer maneira, ele mostrou bastante otimismo com o
trabalho que vem sendo
feito. Não há um só assunto que pensamos que não possa ser resolvido nos próximos
11 meses, avisou o
dirigente.


