Goiano se confunde com história do Paraná
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de janeiro de 2009
Julio Cesar Lima<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As alterações nas relações trabalhistas entre clubes de futebol e jogadores mudou radicalmente desde a entrada em vigor da Lei Pelé, em março de 2001 e desde então os torcedores mal conseguem decorar os atletas de seus clubes de coração. O volante Goiano contraria essa regra e está no Paraná há 12 anos, desde que chegou de Barra do Garça, no interior do Mato Grosso.
Goiano ainda está no departamento médico do tricolor, onde faz de quatro a seis horas diárias de fisioterapia para se recuperar de uma cirurgia no joelho esquerdo para curar-se de uma tendinite que o tirou nove meses de campo.
O atleta assistiu fora de campo a derrocada do clube na Série B, que por pouco não caiu para a Série C, e não jogou com o técnico Paulo Comelli. Por isso, quando voltar a treinar com bola, em meados de fevereiro, Goiano deve estender seu contrato por mais seis meses, tempo que terá para provar que ainda pode ser útil ao clube.
Vou largar um pouco atrás por causa da contusão, mas vou superar isso, mostrar no dia a dia, nos treinos, que eu tenho condições de buscar meu espaço dentro da equipe, mostrar isso no trabalho, não adianta ficar falando, afirmou.
Nascido em Bom Jardim de Goiás, a 30 quilômestro da divisa com o Mato Grosso, Goiano chegou ao Paraná pelas mãos de Paulo Edson, madeireiro amigo da família e que morava em Curitiba. Ele me viu jogando em uma partida em Paranatinga, gostou e me trouxe para fazer um teste. Antes estive no Araçatuba junto com um amigo meu e depois vim para cá, onde passei no peneirão e estou até hoje.
Goiano acredita em uma grande identidade com o clube como um dos motivos de ficar há mais de uma década. Fiquei por vários fatores. Foi o clube que me abriu as portas, onde eu tive a primeira oportunidade. Outro foi a cidade, que é muito boa para se morar e então fui ficando.
O atleta teve uma oportunidade de trocar de endereço em 2004, quando o futebol russo tentou levá-lo, mas a transferência não se concluiu. Infelizmente acabei machucando o joelho em um jogo contra o Vitória. Eu já tinha assinado um pré-contrato. Mas acho que tudo tem um porque, pois eu constituí minha família aqui, tenho duas filhas, minha esposa, então me sinto bem aqui, me sinto em casa, acho que eu vivo mais no clube do que em minha casa.
Goiano estreou profissionalmente em 1999, pela extinta Copa Conmebol, contra o Talleres (foi o jogo de estréia também do zagueiro André Dias, hoje no São Paulo) e depois se firmou na equipe durante o campeonato estadual.
Apesar de sentir-se bem no clube, Goiano acredita que sua carreira foi muito atrapalhada por lesões. Às vezes estava em uma boa sequência e acabava me machucando. Mas graças a Deus nunca tive uma lesão maior, de ruptura, algo assim. Sempre foi mais de pancada, dividida, a primeira que veio mais forte foi essa tendinite. Aumentou com o tempo, pelo frio também, e no momento que precisava parar eu não parei também.
Goiano está otimista e espera em 2009 repetir a bosa fase de 2006. Tive momentos felizes aqui, mas para mim foi mais importante o título de 2006 e a ida para a Libertadores, pois até então ninguém tinha ido para a Libertadores e foi um dos melhores anos profissionalmente e também na Conmebol. Fiquei muito feliz ter jogado, participado daquela campanha, concluiu.


