Rio, 29 (AE) - A TV Globo se negou a dizer o valor que pagou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pela transmissão dos amistosos da seleção brasileira realizados em 1998. A CBF disse na sua prestação de contas que recebeu R$ 2.301.218,95, mas o diretor de eventos da Rede Globo, Ciro José, hesitou em confirmar o valor. "Acho que é mais", disse. Em seguida, disse que "era aproximadamente" aquilo, para, depois, negar-se a falar em valores sem ver uma prestação de contas completa da CBF.
Ciro José disse que a emissora, em conjunto com o SBT e a Bandeirantes, pagaram um valor fixo, em dólar, por cada um dos sete amistosos, contra Argentina, Alemanha, Andorra, Atlético de Bilbao, Iugoslávia, Equador e Rússia. Mas não quis responder qual a quantia. "Essa pergunta é subjetiva", defendeu-se. A Globo assinou um contrato por quatro anos, com valores progressivos, segundo ele, sem intermediação da Traffic. Este contrato venceu em dezembro e está sendo renovado.
Pelas contas da CBF, cada amistoso rendeu-lhe R$ 328 mil, pouco mais do que um jogo do Flamengo pela Copa Mercosul, que, segundo o ex-presidente Kleber Leite, rendeu ao clube US$ 250 mil (R$ 300 mil ao câmbio de dezembro, época da prestação da CBF). Questionado se o valor pago à CBF era o de mercado, Ciro José mostrou espanto pela quantia que o Flamengo disse ter recebido. "Está bem o Flamengo, não? E como está agora naquela penúria?" Ciro disse não se lembrar dos valores que a Rede Globo pagou pelos jogos da seleção na Copa Ouro, nem no nome de que empresa foi feito o pagamento. "Não foi diretamente à CBF, mas ao organizador do evento", afirmou. "Não me lembro do nome." A CBF declarou ter recebido R$ 1.108.000,00, ou R$ 221 mil por jogo. Os direitos de transmissão da Copa do Mundo da França foram pagos à Organização de Televisão Ibero-Americana (OTI), que tem contrato com a Fifa e, segundo Ciro José, é uma entidade sem fins lucrativos.
Globo e Bandeirantes pagaram ao Clube dos Treze uma importância pelo Campeonato Brasileiro, cujo valor Ciro José também não lembra. "Foi aquilo que divulgaram na época, em torno de R$ 50 milhäes." O presidente da Federação Baiana de Futebol, Virgílio Elísio da Costa, disse que vários presidentes de federaçäes estaduais aprovaram as contas da CBF apresentadas na Assembléia- Geral, há duas semanas, sem ler detalhadamente os números. "Muita gente botou aquilo dentro da pasta e nem leu", contou. Ele não pensa em pedir uma auditoria.
"Confiamos na apreciação do Conselho Fiscal da CBF: se alguém tem de contestar os números, é o Conselho ou o diretor financeiro José Carlos Salim."

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