São Paulo, 24 (AE) - Cada vez mais pressionada pela concorrência e pelos poderosos grupos que estão entrando no futebol brasileiro, a TV Globo decidiu este ano investir nos campeonatos regionais. Pelo menos 12 dos 27 torneios estaduais deverão ser comprados e bancados pela emissora ou por suas afiliadas. As cifras não são conhecidas, porque muitos contratos ainda estão sendo negociados, mas o investimento total deve ultrapassar os R$ 100 milhões.
A conta não é difícil. Só no Paulista, a Globo investirá R$ 58 milhões. Outros R$ 8,3 milhões serão bancados pela RBS, afiliada da Globo em Porto Alegre, nos Campeonatos Gaúcho e Catarinense. A emissora também já fechou a compra dos Campeonatos Carioca, Mineiro, Baiano e Paranaense. Apenas com o Carioca e o Mineiro, o desembolso deverá ultrapassar os R$ 20 milhões. No total, já seriam R$ 82 milhões.
Ainda que os outros torneios custem menos do que o Gaúcho, a soma dos campeonatos já negociados deve chegar a mais de R$ 90 milhões. Além disso, a Globo ainda está em tratativas para adquirir os Campeonatos de Pernambuco, Ceará, Pará, Goiás e Maranhão. Se custarem metade do Gaúcho, serão mais R$ 10 milhões, totalizando R$ 102 milhões.
A aposta da Globo não deixa de ser arriscada. Até agora, os campeonatos regionais têm se mostrado, na maioria das vezes, desinteressantes para o público e deficientes para os grandes clubes. "A transmissão dos campeonatos estaduais atende um antigo pleito de nossas emissoras afiliadas", explica Marcelo de Campos Pinto, Diretor da Globo Esportes, empresa encarregada da compra de direitos e negócios na área de esportes da Rede Globo. "Todas as afiliadas que demonstraram interesse em cobrir os estaduais, foram pela Rede Globo autorizadas a fazê-lo."
A participação da Globo não se limitará a transmissão dos jogos. Os pacotes fechados incluem a compra de ingressos e a exploração da publicidade estática nos estádios. Os clubes receberão uma cota e terão um "público virtual" assegurado com a compra antecipada de ingressos.
Desta forma, ainda que os estádios estejam quase vazios, os clubes teriam uma renda mínima garantida. Mas este não é o interesse da emissora, segundo o Diretor da Divisão de Esportes da TV Globo, Luiz Fernando Lima. "Ninguém tem mais interesse no estádio cheio do que a TV", defende ele. "Estádios vazios tiram a credibilidade do espetáculo que está sendo mostrado."

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