Giuliano já pensa em seleção brasileira
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segunda-feira, 06 de setembro de 2010
Daniel Batista<BR>Agência Estado 
São Paulo - Quando o árbitro apitou o fim do jogo entre Internacional e Chivas Guadalajara, o meia Giuliano sabia que estava fazendo história. O garoto que começou a sua carreira no Paraná acabou a Libertadores como artilheiro do time campeão e conseguiu um feito raro: marcou gol em todas as fases da competição. E isso sem ser titular.
Em entrevista à Agência Estado, o garoto contou que o segredo do sucesso é se cobrar bastante. Revelou que seu sonho é atuar no futebol europeu, mas disse não ter pressa de ir embora. Agora que deve se fixar como titular do time colorado, quer mais é aproveitar o bom momento. E, lógico, tentar arrumar uma vaga na seleção brasileira.
Agência Estado - Qual foi a sensação de ser campeão da Libertadores sendo tão decisivo como você foi?
Giuliano - Não dá para explicar. Foi uma sensação inexplicável, uma alegria que transborda. Com 20 anos eu já tive o privilégio de participar de uma Libertadores, fazendo gols decisivos e sendo campeão. Eu me senti um jogador realizado.
AE - Após ser um dos destaques do Internacional na Libertadores, você acha que pode aparecer em breve em uma convocação do Mano Menezes?
Giuliano - Prefiro não criar expectativa, mas é claro que sempre acabo tendo um pouco de esperança de ser chamado, exatamente por me enquadrar no perfil de jogador que tem tido oportunidade com ele.
AE - Disputar a Olimpíada de 2012 em Londres é um objetivo?
Giuliano - Tenho esse objetivo, sim. Sei que será bem difícil porque existem vários grandes jogadores. Não faltam opções para o Mano, mas vou trabalhar para tentar cavar uma vaguinha. E depois minha meta é a disputa do Mundial de 2014 no Brasil. Seria ótimo jogar em casa.
AE - Como você disse, existem muitos bons jogadores, inclusive para a sua posição. Como conseguir se sobressair em meio a tanta concorrência?
Giuliano - Eu me cobro demais. Quero estar sempre bem e tento acertar tudo o que faço em campo. Vou ao meu limite físico e técnico. É uma forma até de crescer profissionalmente, mas sem deixar que essa cobrança passe dos limites e ao invés de melhorar eu acabe piorando.
AE - Você acha que chegou a hora de uma transferência para a Europa?
Giuliano - É evidente que todo jogador pensa em jogar na Europa e eu não sou diferente. Mas acredito que no tempo certo as coisas vão acontecer e terei essa oportunidade. Estou em um momento maravilhoso da minha vida e não pretendo deixar o Brasil por enquanto.
AE - O que achou da decisão do Neymar em recusar uma proposta milionária do Chelsea para ficar no Brasil?Acredita que é possível os clubes passarem a segurar mais seus jogadores?
Giuliano - Acredito que a decisão do Neymar foi acertada. Ele esta só com 18 anos, pode jogar mais um ou dois Brasileiros e sair muito mais maduro, provavelmente recebendo as mesmas propostas ou até melhores das que está tendo agora. Em relação a segurar jogadores, é algo mais difícil, a gente sabe que o poder financeiro que existe por parte dos clubes europeus faz com que as ofertas sejam na maioria das vezes sempre bem tentadoras. Então fica complicado para o clube conseguir segurar algum jogador e a permanência no Brasil acaba sendo uma decisão que compete a cada atleta.
AE - Qual é o segredo das categorias de base do Inter, que tem revelado tantos jogadores nos últimos anos?
Giuliano - O grande segredo do Internacional é começar muito cedo investindo nos meninos da base. Enquanto nós, do time profissional, estamos treinando no Beira-Rio, no campo ao lado os meninos de nove e dez anos estão treinando também. Isso é importantíssimo para surgirem novos talentos. Eles estão sendo aprimorados muito cedo, o que facilita o desenvolvimento.
AE - É verdade que você só não foi para o Palmeiras em 2008 porque o então técnico Vanderlei Luxemburgo não o quis no clube?
Giuliano - Eu não sabia disso. É a primeira vez que me falaram sobre esse assunto. Quando deixei o Paraná e fui comprado pela Traffic, tive algumas opções de destino e acredito ter tomado a decisão correta. Acabei indo para um grande clube do futebol brasileiro e fui campeão.
AE - Com a vaga para a Libertadores garantida, o Internacional vai levar o Campeonato Brasileiro a sério?
Giuliano - Com certeza. Nossa projeção era virar o turno com 31 no bolo dos times que ainda lutam pelo título. Dependemos apenas de nós mesmo. Além do mais, temos um jogo a menos que a maioria dos nossos concorrentes (o jogo contra o Santos pelo primeiro turno foi adiado para o time poder antecipar a viagem ao México para a final da Libertadores e será disputado dia 13 de outubro na Vila Belmiro).


