Giovane quer seguir passos de Bernardinho
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domingo, 18 de fevereiro de 2007
Erica Akie<br> Agência Estado 
São Paulo - Em cinco anos no comando da seleção brasileira masculina de vôlei, Bernardinho virou o ''Midas'' da modalidade. Conquistando o ouro em quase todas as competições que disputou, o técnico virou exemplo e ganhou seguidores.
Um de seus ex-comandados, que pretende seguir seus passos, é Giovane, bicampeão olímpico e mundial. E falta pouco para o supervisor técnico da Unisul/Nexxera virar treinador.
A primeira etapa do novo desafio de Giovane começou no início de fevereiro, quando trocou de função. De gerente da área esportiva de toda Unisul, o ex-jogador passou a supervisor técnico do time de vôlei. ''Comecei a acompanhar mais de perto os treinos'', conta o ex-jogador da seleção.
Segundo ele, o caminho é longo mas já está traçado. ''Trabalhei com grandes técnicos durante a minha carreira: o Bebeto (de Freitas) me ensinou muito no começo, há uns 20 anos; o Jorjão (Barros), que foi o maior especialista em treino de bloqueio; o Zé Roberto (Guimarães), que tem um ótimo método de trabalho; e o Bernardinho, que é o que está mais fresco na memória de todo mundo'', enumera.
Entre todos esses, Giovane acredita que se assemelha mais ao atual técnico da Seleção. ''Eu sigo muito a 'filosofia Bernardista'. Gosto da maneira como ele trabalha, como é rigoroso e estudioso e, ao mesmo tempo, como motiva seus jogadores. Certamente vou pedir um estágio para ele na seleção.''
Recentemente, a Unisul dispensou o técnico Carlos Augusto De Oliveira Almeida, o Chiquita, e promoveu o assistente técnico, Sidney Papke, a comandante do grupo. ''Existia uma incompatibilidade técnica entre o Chiquita e o grupo. Já foram cinco derrotas na Superliga e seis na temporada para a Cimed (principal rival catarinense). Mas não tem cabimento trazer alguém de fora neste momento'', explica Giovane.
O ex-jogador, de 36 anos, está preparando documentos para trabalhar como técnico. ''A papelada para tirar o Cref (número de registro dos profissionais da Educação Física) já foi encaminhada. Além disso, preciso fazer um curso na Confederação Brasileira para ter uma carteirinha que me permitirá exercer a função de técnico. Pode ser que tudo saia antes do final da Superliga, mas mesmo que saísse eu não assumiria. Não se fazem as coisas assim, da noite para o dia.''
Giovane admite que não conseguiu ficar longe das quadras. ''Nesses dois anos como gerente pude aprender muita coisa e levar uma vida um pouco mais tranquila que a de um jogador. Mas o trabalho em relação ao vôlei era mais superficial, burocrático. Senti falta daquela competitividade que tinha em quadra. Conversei com a minha esposa sobre a possibilidade de mudar de função e tive todo o apoio. A vontade de ser técnico é uma realidade e espero desempenhar esse papel logo'', afirma.
Apesar da empolgação, o supervisor garante que não falta cautela. ''Não dá para mudar rapidamente. É preciso ganhar ritmo em qualquer novo trabalho. Terei de ser um estudioso, como é o Bernardo, se quiser ter sucesso nesse novo desafio. Nunca fui muito de estudar estatísticas, mas vou aprender. Uma coisa eu sei: quero ser o mesmo vencedor que fui como jogador.''


