Ginástica debuta em final por equipes
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domingo, 10 de agosto de 2008
Eduardo Ohata<br> Folhapress 
Pequim - ''Sem choro, sem choro'', pedia Daiane dos Santos, ao ver a emoção das colegas, lágrimas escorrendo por suas faces. Um delas, Ana Cláudia Silva, sangrava abundantemente pela mão esquerda. Mas seu choro não era provocado pela dor. Era sua forma de comemorar a classificação do Brasil a uma inédita final olímpica por equipes na ginástica artística.
Em meio ao domínio de China e EUA, o país emplacou duas ginastas na decisão do individual geral (Jade Barbosa e Ana Cláudia), uma no solo (Daiane) e outra no salto (Jade). ''A Laís (Souza), a Daniele (Hypólito) e eu trabalhamos muito para chegar à final por equipes. Não conseguimos nos Jogos de Atenas, ficamos em nono (apenas as oito primeiras equipes se classificam à decisão)'', afirma Daiane, que, favoritíssima na Grécia, amargou o quinto lugar na final do solo.
''Parece até que Deus disse: ''Daiane, você tem uma nova chance, veja se aproveita...'', afirmou, exibindo largo sorriso, em referência a estar, quatro anos depois, novamente em uma final olímpica do solo. ''O que me falta agora é uma medalha olímpica'', disse a ginasta, campeã mundial no solo no Mundial de Anaheim, em 2003, e dona de dez ouros em etapas de Copa do Mundo.
Ontem, quando reestreava o ''Brasileirinho'' na Olimpíada e liderava o Brasil, Daiane renasceu no solo. Lançou mão de movimentos dificílimos, entre eles o duplo twist esticado, movimento que até hoje nenhuma outra ginasta do mundo conseguiu exibir em eventos de peso.
E foi quem melhor lidou com os momentos de tensão e ansiedade a que as brasileiras foram submetidas na competição. Especialmente quando a equipe se exibia na trave, último aparelho do Brasil e o qual derrubou três atletas: Jade, Laís Souza e Daniele Hypólito, esta que cumpre sua terceira Olimpíada e é especialista na prova.
''Não ficamos pensando: ''Não vai dar, não vai dar'. Se tivéssemos feito isso, aí é que teríamos ficado em oitavo, ou talvez nem classificado'', analisou, com lágrimas nos olhos, Laís, 19.
Isso tudo depois de a equipe amargar erros no solo, no qual a arbitragem apontou que Daiane pisou fora da linha; no salto, onde Jade aterrissou fora da área demarcada; e nas paralelas assimétricas, em que Ana Claudia, campeã brasileira no individual geral, sofreu um tombo, provavelmente pelo estouro de uma bolha na mão esquerda. Mesmo assim, a seleção somou 233,800 pontos, avançando na sétima posição.
Agora, além da final por equipes, amanhã, do individual geral, na sexta, a ginástica brasileira verá três disputas por medalha no próximo domingo, já que, além de Daiane (solo) e Jade (salto), o bicampeão mundial Diego Hypólito, 22, lutará pelo ouro no solo masculino.


