Ginástica Artística aposta em recomeço
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segunda-feira, 15 de junho de 2015
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
A fachada pichada, o interior escuro e úmido e o cheiro de mofo dão as boas vindas e traduzem a sensação de quase abandono total do tradicional Ginásio Alceu Malucelli, casa da não menos tradicional Associação Londrinense de Ginástica Artística (Alga).
Com parcos recursos, uma diretoria esgotada, um corpo técnico desanimado e atletas sem perspectivas, a equipe de competições da Alga resistiu até dezembro do ano passado. Escola de grandes revelações da ginástica, com títulos estaduais e nacionais, a Associação sobrevive apenas graças a um trabalho lúdico de disseminação da ginástica em escolas municipais. Acostumado a abrigar treinos diários, o Centro de Ginástica Artística chega ao sexto mês do ano ainda de portas fechadas.
Cenário atual que deve ficar para trás em breve, promessa da nova diretoria, eleita em fevereiro, mas que começou a trabalhar efetivamente em abril. Porém, a caminhada será difícil para buscar recursos e iniciar do zero a formação de novos talentos. "Infelizmente, o trabalho se perdeu e os atletas ficaram pelo caminho. Vamos voltar a ter uma equipe no nível que tínhamos somente a partir de 2017, 2018", projeta o presidente da Alga, Luis Alberto Garcia Freitas.
Professor dos cursos de Educação Física e Esportes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ex-técnico e árbitro de ginástica, Freitas foi convidado pelos antigos dirigentes para encabeçar a reconstrução da ginástica em Londrina. Buscando aliar o conhecimento acadêmico de doutor com novas formas de administração esportiva, o comandante sabe que o caminho de volta se passa pela profissionalização. "A nossa modalidade tem pouca visibilidade e com isso os recursos são escassos. Já demos início a elaboração de projetos para buscar recursos junto as esferas municipal, estadual e federal, sem abrir mão das parcerias com a iniciativa privada", apontou Freitas.
REFORMAS
A retomada dos trabalhos está sendo feita com algumas reformas no ginásio, localizado ao lado do Vale do Córrego Água Fresca, região nobre da área central de Londrina. Com o apoio da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), toda a iluminação está sendo substituída.
Em seguida, haverá reparos na parte hidráulica, correção das infiltrações e reforma da quadra, que fica anexa ao Centro de Ginástica. "Temos que melhorar a condição física do ginásio para depois trazermos os atletas", aponta o presidente. "Os nossos equipamentos são o que têm de melhor na ginástica, inclusive alguns semelhantes aos que são usados em competições internacionais. Só de aparelhos, temos mais de R$ 400 mil. Infelizmente, o tablado, que custou R$ 75 mil, já estava embolorando, pela falta de uso e manutenção", lamenta Luis Alberto.
A Associação corre contra o tempo para deixar o ginásio em condições de abrigar três competições no segundo semestre, inclusive o Paranaense Masculino, em outubro.
Nesta semana, a Alga realiza um festival em 15 escolas municipais onde já há aulas de ginástica e, a partir daí, a ideia é convocar os destaques para que treinem no Alceu Malucelli, dando o pontapé inicial para a formação de novas equipes. "O objetivo desta nova direção é massificar a ginástica e reativar as equipes. Para isso, vamos convocar também os antigos atletas e técnicos. Queremos capacitar também novos treinadores", relata Freitas.


