Gilmar Rinaldi é o "general" do Flamengo
Rio, 24 (AE) - Nos últimos anos, o futebol do Flamengo passou a cultivar a fama de desorganizado e indisciplinado. Mas isso vem mudando com os métodos rígidos adotados pelo gerente de Futebol do clube, Gilmar Rinaldi, chamado de "general" até por parentes. Rinaldi contou que tem enfrentado resistência daqueles que, segundo ele, se beneficiavam da forma pela qual o futebol do clube era conduzido. "Sei que para certas pessoas não sou interessante aqui", afirmou, referindo-se a determinados empresários que atuavam no clube.
Logo ao assumir o cargo no Flamengo, o gerente recebeu empresários de jogadores para explicar a nova forma pela qual as negociações seriam conduzidas no clube, sem preferências ou discriminações. "Mesmo depois de conversar com essas pessoas recebi propostas de composição", lembrou. Rinaldi era agente de jogadores antes de ir para o Flamengo. "Me vi obrigado eticamente a terminar meu negócio", disse. Para o dirigente, esses empresários estão incomodados com a nova situação e fazem de tudo para provar que ele ainda influencia na compra e venda de jogadores para obter benefícios. "Eles vão tentar isso a vida toda", afirmou, com convicção.
Uma das promessas de campanha do presidente Edmundo dos Santos Silva era a profissionalização completa do clube, meta que se tornou obrigatória com a Lei Pelé. Sob essa orientação, Rinaldi salientou que a atual fase de transição é a mais difícil. "Assim que cheguei, reuni todos e apresentei meu método de trabalho, dizendo que quem não o aceitasse estaria fora", disse Rinaldi, para justificar a demissão do ex-técnico Evaristo de Macedo. "A princípio, ele concordou com tudo e depois, por não cumprir determinadas coisas, fui obrigado a tirá-lo daqui." De acordo com Rinaldi, Macedo interferia até no trabalho da nutricionista do clube. "Ele queria impor o cardápio dos jogadores."
A demissão de Macedo foi a primeira crise contornada por Rinaldi. Duas semanas depois, o gerente foi o responsável pela rescisão do contrato do meio-de-campo Narciso, que se recusou a jogar na defesa, como pedira o técnico Carlinhos. "A nossa filosofia é uma só: joga no Flamengo quem quer vestir a camisa." Rinaldi explicou os episódios envolvendo Narciso e o atacante Cleisson. "Este me pediu para sair cinco vezes", disse.
Quanto a Narciso, lembrou a frase dita pelo jogador na preleção do jogo com o Olaria, pela primeira rodada do Campeonato Carioca, quando atuou na zaga e disse, segundo Rinaldi, que tinha objetivos pessoais acima do objetivo do grupo. "Ele falou ainda que era feliz no Santos e não sabia", prosseguiu "Sendo assim, acho que fui até complacente em não o ter demitido antes."
Os novos métodos do futebol Rubro-negro parecem estar agradando a todos. Mesmo jogadores como Romário, cuja a má vontade de treinar é pública, elogiam Rinaldi. Semana retrasada, o jogador faltou a uma sessão de fisioterapia no clube e, antes de ser advertido, foi à sala do gerente se desculpar e falar que teria de ser multado. Rinaldi prova a rigidez mostrando num computador uma listagem de controle de presenças de todos os jogadores. "Tem que ser assim mesmo; só assim seremos campeões", elogiou o atacante. Outros funcionários, como o médico José Luiz Runco, acham que o sistema só trará vantagens ao time. "Está ajudando a unir mais o grupo", constatou.





