Gilmar e Barbosa, os dois maiores do Brasil
Gilmar e Barbosa, os goleiros de trajetórias opostas, se unem no pensamento de Zeferino Pasquini. São os dois maiores que já vi.
O primeiro conheceu bem no Corinthians. Teve a honra de ser seu reserva no Rio-São Paulo de 1957. Tudo o que pude tirar proveito de uma pessoa boa, tirei dele. A colocação em campo, o comportamento. É difícil nascer outro igual ele. Além de tudo, é um ser humano fora de série. Gilmar é um empresário bem sucedido e reverenciado do Oiapoque ao Chuí.
Barbosa, o homem que virou livro dramático Um gol faz 50 anos se dizia condenado à pena perpétua desde que Gigghia fez o gol de desempate no Maracanazo, quando o Brasil perdeu o Mundial que mais queria vencer. O goleiro negro do primeiro Expresso da Vitória (o Vasco era um dos melhores times do mundo na década de 40) que se transformou em idoso amargurado antes de morrer pobre em um balneário popular do litoral paulista, toma espaço nobre no imenso coração de Zeferino.
Seria um goleiro moderno hoje. Era quase perfeito na reposição. Tinha uma colocação impressionante. Fiz questão de cumprimentá-lo quando esteve no VGD já no fim de carreira. Fiquei muito emocionado.
Depois de se concentrar para recuperar a imagem do VGD transbordando de gente e da solidão de Barbosa no banco de reservas, Zeferino constata: Com os treinamentos específicos de hoje, ninguém faria gol naqueles caras.
Zeferino conta sua rotina no Corinthians como exemplo: Acabava o treino físico e aí a gente entrava em campo para treinar. Era cruzamento a gol, cobranças de falta, chutes dentro da área. Cita uma legenda alvinegra para recuperar momentos sublimes. Quem cobrava as faltas naquela época era o Cláudio (o Gerente, maior artilheiro da história do Corinthians com 295 gols em 13 temporadas). Ele ficava uma hora inteira chutando, com uma barreira de madeira à frente. Colocava quase todas na gaveta. Eu estava lá, mas nem precisava.
Fã da sobriedade de Gilmar e Barbosa, Zeferino se irrita quando é questionado sobre os espalhafatosos. O colombiano Higuita, em Wembley, defendendo um chute por cobertura com uma estranha acrobacia, é interpretado como um absurdo. Aquilo não é coisa que se faça! Ali tem que jogar sério. Isto aqui não é lugar de brincadeira, diz apontando a grande área. Acho bonito o Rogério Ceni cobrar falta. Mas tudo tem que ser feito com seriedade. (L.F.M.)





