Gilberto Ponce: Não posso segurar o fardo sozinho
Folha: Por que você quer ser presidente do Londrina?
Ponce: Por gostar do Londrina e por pensar no Londrina. O Gilberto não precisa ser presidente por interesses financeiros ou políticos.
Folha: Quais são seus principais projetos?
Ponce: O principal é a reestruturação do Londrina. Quando decidi que seria candidato à presidência, era porque queria ajudar. Viajo muito, vou à Arena da Baixada, ao Morumbi, ao Pacaembu e vejo que a situação do Londrina é terrível. Então pensei: se eu posso, por que não ajudar? Não resolve mentir, enganar o torcedor, falar que vai fazer mundos e fundos e não faz nada. O Londrina precisa de um trabalho sério, o principal ponto é a base. O Gilberto vai abandonar isso ou aquilo? Não. Nós vamos fazer um projeto sério, começando pelo futebol. Se não tiver um time, um calendário, você não vai a lugar nenhum. O Londrina hoje não tem nada. Não tem time, não tem centro de treinamentos...
Folha: A Sede Campestre vai a leilão dia 20. Qual a sua opinião?
Ponce: Não sou nem a favor nem contra. Não adianta iludir o torcedor. O leilão vai ser dia 20 de novembro e a eleição é dia 8. A gente vai lutar em pról dos bens do clube. Agora, para fazer uma reforma lá vai ter que fazer uma chamada de capital com os próprios sócios. Eu não sei se é bom.
Folha: O senhor pretende terceirizar o futebol do clube?
Ponce: O profissional vou ser obrigado a terceirizar, seja por um ou dois anos. O Sérgio (Malucelli, dono da SM Sports), falou em terceirizar por dez anos. Tem que pensar muito nisso. Não dá para fazer um contrato de dez anos. Você pode achar que é excelente, só que daqui dois anos vai ver que errou. Agora, uma parceria com um grupo estruturado é muito bom para o crescimento do Londrina, mas tem que ser de forma graduada. Faz por um ou dois anos, depois mais um ou dois.
Folha: Como será política de transparência e prestação de contas?
Ponce: Isso é uma coisa interessante. Várias pessoas me perguntaram isso. Prestar contas não é virtude, é obrigação. Fechou o mês já tem que mandar um e-mail para os jornais, rádios mostrando o que entrou e o que saiu, tudo muito bem claro, mostrando a porcentagem de cada jogador e como foi a negociação.
Folha: Quem vencer a eleição vai receber uma hernança maldita das mãos do presidente Peter Silva. São dívidas, falta de credibilidade e de calendário, time rebaixado... Como administrar tudo isso e resgatar o clube?
Ponce: É bom que todo mundo saiba que se o Gilberto for eleito, ele não vai chegar no outro dia, pôr a mão no bolso e pagar as contas. Nosso grupo vai administrar o Londrina. Todos os problemas serão cuidados com carinho, mas dentro das normas e receitas do Londrina. Vamos criar nosso conselho gestor, com um grupo de empresários que bote dinheiro no Londrina, a gente vai procurar buscar patrocinadores, que invistam de janeiro a dezembro, independentemente de calendário. Não é fácil. É difícil você levantar esses recursos. Sabemos que o Peter está deixando uma herança nada satisfatória. Todos sabem. Inclusive na última campanha disse que faria uma administração transparente, mas está deixando uma herança nada legal.
Folha: O senhor pensa em pedir uma auditoria no clube dos últimos anos?
Ponce: O Peter diz que vai apresentar toda a situação do clube. Vamos ver o que ele vai passar.
Folha: O Senhor é a favor ou contra à venda do VGD?
Ponce: A venda do VGD não depende do Londrina. Eu acho que se houver um projeto em que com a venda do VGD se faça um local digno para o Londrina treinar, se fizer um CT com alojamento, restaurante, academia e campos para treinarem o profissional, o junior, o juvenil, sou a favor. O Londrina não tem um time hoje, nem calendário e ter dois estádios não é viável. Olha a situação do VGD hoje. Está com a energia cortada. A última conta quem pagou fui eu. Para quê ter uma praça, que custa caro? O Londrina não tem receita para cuidar do VGD.
Folha: O Londrina tem a Copa do Brasil em fevereiro e depois ficará no mínimo três meses sem jogar. Como se planejar? Como montar o elenco?
Ponce: Aí que eu acho importantíssimo fazer uma parceria no profissional. Assim você tem um fôlego. Não dá para montar um time para a Copa do Brasil, aí é eliminado no primeiro jogo. Vai dispensar todo mundo? Vai segurar todo esse elenco para jogar no segundo semestre? Não posso segurar o fardo sozinho. Se o Gilberto está na frente, as contas têm que ser pagas. O que a gente assumir daqui para frente será pago.
Folha: Por que votar no Gilberto Ponce?
Ponce: Porque nunca fui presidente e, assim, ninguém pode falar se fiz alguma coisa de mal para o Londrina. Daqui a dois anos, se falarem sai Gilberto que você foi pior que os outros, aí sim. (T.M.)





