Indianápolis - Gil de Ferran dormiu menos de três horas de domingo para segunda-feira. E, às 9 horas, já estava outra vez no autódromo de Indianápolis para a tradicional foto do vencedor das 500 Milhas. A sessão, com uma centena de fotógrafos, durou quase duas horas, com troca de bonés e equipes separadas da Penske, Toyota e Firestone, responsáveis pela vitória. De mão em mão, entre os membros da equipe e a mulher de Gil, a inglesa Ângela, circulava a edição de ontem do New York Times, trazendo na capa do caderno de esportes uma foto em cinco colunas de Gil e Hélio Castro Neves, subindo na grade depois da corrida.
Até a hora do almoço, Gil não tinha recebido nenhuma mensagem de congratulação de autoridades brasileiras, apesar da importância da conquista. Desde domingo à noite, Gil não pára de receber telefonemas de amigos e familiares. E fez questão de falar bastante com seu mentor técnico, o preparador de motores Amandio Ferreira, o 'Gigante', um dos maiores responsáveis pela carreira do piloto. ''Ele estava tão louco como eu'', disse Gil. ''Foi a realização de um desejo, de um sonho. É indescritível'', explicou o piloto, admitindo que, pela primeira vez, ficou fora de si quando cruzou a linha de chegada.
''Eu sou muito feliz pelo que já consegui no automobilismo. Ganhei dois títulos da Cart, corri por equipes excelentes. Eu sou muito emocional. E, por isso, tenho que me controlar. Eu me esforço para isso. Mas desta vez acho que não deu. Tudo foi muito intenso''.
Os diretores da Toyota, empolgados com a primeira vitória da marca em Indianápolis, querem levar Gil para o Japão. E já começaram a discutir a agenda com a Penske. Gil participará de uma série de eventos e receberá o tratamento de um herói. ''Como Ayrton Senna'', contou um jornalista japonês. Gil falou de Senna na segunda entrevista coletiva em menos de 24 horas no autódromo.
Comentando sobre o sucesso dos pilotos brasileiros nas pistas internacionais, disse que Senna foi o maior que viu correr. ''Foi um privilégio poder vê-lo em ação''.
Com cinco vitórias, o Brasil só perde para os EUA nas conquistas de Indianápolis.
Aos 35 anos, Gil disse que não faz planos para o futuro. ''Não sei até quando vou continuar correndo''.
Ontem, Gil recebeu o prêmio de US$ 1,2 milhão que compartilhará com a equipe. No dia 7 de junho, Gil estará na pista para a disputa da corrida noturna no Texas Motor Speedway.

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