Gil de Ferran já fala em título
Agência Estado
Gil de Ferran depende da evolução da Goodyear para pensar no título da Fórmula Indy, em 99. Ele é o piloto responsável pelo desenvolvimento dos pneus e explica que eles estão sendo fabricados de acordo com sua orientação. Domingo, no GP de Portland, Gil venceu sua primeira corrida pela equipe Walker. Esta vitória deu um novo ânimo para a moçada. Tirou um peso da cabeça de todo mundo. Acho que estou em boa situação para a luta pelo título.
Na classificação do campeonato, o colombiano Juan-Pablo Montoya tem 90 pontos, o escocês Dario Franchitti, 85 e Gil, 71. O piloto brasileiro passou o dia na Flórida, fazendo churrasco e atendendo a telefonemas do Brasil. Isso não acontecia há tempo. Amigos de São Paulo, principalmente do Alto da Lapa, ligaram logo cedo. Depois os familiares. Ainda estou emocionado.
Depois de 49 corridas sem vitória, Gil, 31 anos, na quinta temporada de Indy, gostaria de ter mais tempo para comemorar com a família. Mas hoje já estará viajando para Cleveland onde volta a correr no próximo domingo.
Para Gil, os quase dois anos sem vitórias brasileiras na Indy não têm nenhuma implicação coletiva. Cada um enfrentou seus problemas. Reconheço que, de acordo com o número de pilotos, nós deveríamos ter obtido resultados melhores. Quem sabe isso começará agora.
A Goodyear não vencia desde Homestead, com Michael Andretti, no início da temporada de 98. E a última das três vitórias da equipe Walker foi em Detroit, em 95. Hoje eu colocaria a Walker entre as três grandes equipes da Indy. O que faltava era exatamente uma vitória, comenta Gil.
O fato de ser o único piloto de ponta da Goodyear - a fábrica perdeu as principais equipes para a Firestone, nesta temporada - tem dois lados. O positivo é que Gil pode determinar o desenvolvimento dos pneus de acordo com seu estilo e as exigências do Reynard-Honda que pilota. O negativo é que, com menos fontes de informação, a Goodyear não tem condições de acompanhar o ritmo de trabalho da concorrente. Agora é uma luta contra o tempo. Acho que a Goodyear tem possibilidade de produzir pneus melhores para os ovais e mistos. E isso já está acontecendo. A vitória em Portland é também consequência disso, analisa.
A estréia de um novo companheiro de equipe, o americano Memo Gidley, substituindo o japonês Naoki Hattori, não altera a rotina de Gil. Para mim isso não muda nada. Em minha carreira nunca fui de procurar informações no segundo carro da equipe. E vou continuar assim. Entretanto, Gil admite que se Memo pegar logo a mão do carro, poderá auxiliá-lo nos testes com os pneus Goodyear.
Esta é o terceiro ano de Gil na equipe Walker. O contrato termina no final da temporada e ele ainda não está pensando no futuro. Dentro de mais algumas semanas, o mercado começará a se agitar. Mas não estou me envolvendo nisso. Não tenho medo de ficar sem equipe. Só quero fazer o melhor para mim e para a Walker.





