Até então, só Rick Mears, Bobby Rahal e Alessandro Zanardi tinham conseguido tal proeza. Mas agora Gil de Ferran é o quarto piloto a conquistar o título da Fórmula Indy por dois anos consecutivos, ambos pela equipe Penske. Com o quarto lugar no GP da Austrália, disputado na madrugada de ontem em Surfer's Paradise, ele somou pontos suficientes (191) para não ser alcançado por Kenny Brack (163) nem Hélio Castro Neves (141) nas 500 Milhas de Fontana, domingo que vem. Será a última etapa do campeonato.
A corrida, vencida por outro brasileiro (Cristiano da Matta, da Newman Haas), foi para Gil o desfecho perfeito de um campeonato que teve duas fases totalmente distintas. Depois de uma primeira metade bem difícil, as coisas começaram a dar certo e ele marcou pontos nas nove últimas corridas, das quais venceu duas. Resultado da regularidade: mais uma taça de campeão, que ele recebeu com muita emoção.
''Sou um cara de muita sorte por pilotar para um homem como o Roger (Penske, dono da escuderia) e para uma equipe como essa. Nunca pensei que eu fosse ter tanto sucesso, isso significa muito para mim. Quando comecei a correr, aos 14 anos, lembro que pregava pôsteres dos meus ídolos nas paredes e queria ser como eles... É, agora é continuar.''
Passada a largada, a grande preocupação de Gil foi não errar. Kenny Brack e Hélio Castro Neves, as duas ameaças, estavam para trás e por isso bastava se manter entre os primeiros. Parece fácil, mas, segundo ele, é uma tarefa das mais exigentes: ''Ficar na pista aqui é difícil para caramba, é muito fácil errar. Tem que se concentrar muito.'' Com o freio querendo atrapalhar, ficou mais complicado ainda: ''O pedal começou a descer muito, não estava freando. E estava travando as rodas traseiras. Aí comecei a usar o câmbio (para frear reduzindo a marcha), mas tinha que tomar cuidado para não estourar o câmbio.''
Nada estourou e Gil pôde subir ao pódio para ouvir o grito de bicampeão dos vários brasileiros que foram ao autódromo - há muitos que moram na região. O hino brasileiro, que tocou duas vezes - uma por Gil e outra por Cristiano da Matta - desta vez foi cantado em coro.

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