Gigantismo cerca preparação para últimos Jogos do século
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sábado, 09 de setembro de 2000
Agência Estado De Sydney, Austrália 
Depois de bater todos os recordes na preparação e entregar todas as instalações esportivas bem antes dos prazos estipulados, os integrantes do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Sydney (Socog) só aguardam que o evento comece de fato para que a cidade passe a viver o clima dos últimos Jogos do século clima que mistura o romantismo das emoções mais puras, o arrojo dos grandes empreendimentos comerciais e industriais e a tecnologia.
A última grande obra inaugurada, no dia 9 de agosto, foi a Vila Olímpica, que alojará cerca de 15 mil pessoas durante os 18 dias de disputa das competições. No coração do Parque Olímpico de Sydney, na Baía de Homebush, a Vila é uma verdadeira cidade, com casas, prédios de apartamento, restaurantes, lanchonetes, discotecas, lojas, bancos, correios, salões de jogos eletrônicos salões com computadores com acesso à internet, cabeleireiros, ginásio, hospital, clínica de fisioterapia e um centro religioso.
O gigantismo é o maior exemplo da complexidade da organização do evento. Os atletas, técnicos e dirigentes de 200 países que se hospedarão na Vila Olímpica constatarão a preocupação ecológica nos projetos urbanísticos. Os telhados das construções têm placas solares para o fornecimento de energia e receptores de água de chuva para a reciclagem.
Os mesmos cuidados foram tomados na construção das instalações esportivas. Só em obras, os organizadores, com a ajuda do governo de Nova Gales do Sul e da Austrália, investiram US$ 3,3 bilhões. O Estádio Olímpico é um verdadeiro cartão-postal. Ao custo de US$ 400 milhões, tem capacidade para 110 mil pessoas é o maior da história.
Na infra-estrutura, o sistema de transporte, considerado um item importante para o sucesso do evento, recebeu considerável parcela dos investimentos. O caos ocorrido em Atlanta, em 1996, serviu de lição. Por isso, foi construída uma linha de trem ligando o centro da cidade ao Parque Olímpico, com 5,3 quilômetros de extensão. A estação do Parque Olímpico, inaugurada há dois anos, tem capacidade para abrigar 50 mil pessoas por hora e a frequência dos trens, durante os Jogos, será de 2 em 2 minutos.
Na área de tecnologia, tudo o que existe de mais avançado estará presente desde os mais modernos recursos de telecomunicações e informática até roupas e acessórios. A competição vai exibir o resultado de pesquisas científicas por todos os lados da confecção dos tecidos para os uniformes à construção das piscinas. Todos os integrantes da delegação brasileira na Olimpíada terão e-mails, acessados por meio do site oficial do Comitê Olímpico Brasileiro: www.cob.org.br.
Protestos à vista Os organizadores não têm colhido apenas sucesso. Ele enfrentam alguns problemas como a dificuldade para a venda de ingressos, protestos de ativistas ecológicos e o sério risco de manifestações violentas dos aborígenes, os nativos, que pretendem usar os Jogos para reclamar de injustiças históricas.
De acordo com os últimos balanços, o Socog ainda tem à disposição cerca de 1,6 milhão de ingressos para competições, o que representa aproximadamente US$ 80 milhões fora dos cofres dos organizadores. Os aborígenes pretendem fazer uma grande manifestação nos Jogos. Querem percorrer as principais ruas da cidade, terminando o protesto em pleno Parque Olímpico, onde prometem entrar sem ingressos com o argumento de que a terra daquele local pertenceu a seus ancestrais. As autoridades garantem que não permitirão a entrada.


