GIGANTES DE OURO
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de agosto de 2004
Agência Folha 
Atenas - A seleção brasileira bateu a italiana ontem e conquistou a medalha de ouro no torneio masculino de vôlei em Atenas. Com os 3 sets a 1 (25/15, 24/26, 25/20 e 25/22), o time de Bernardinho repete o feito de Barcelona-92. O título também possibilitou ao Brasil quebrar seu recorde de ouros em uma edição de Jogos Olímpicos, com quatro.
O resultado, além de consolidar o vôlei como o esporte coletivo mais vencedor do País em Olimpíadas, coroou o trabalho de quase quatro anos do time brasileiro sob o comando do técnico Bernardinho.
Com ele no banco, o Brasil disputou 15 competições até hoje, chegou a 14 finais e conquistou 12 títulos, incluindo o de ontem.
Favorito, o time chegou a Atenas credenciado como atual campeão mundial, da Copa do Mundo e duas vezes da Liga Mundial a última sobre a própria Itália, há pouco mais de um mês, em Roma.
Apesar da conquista, o ouro deverá marcar o desmanche do time vencedor. As mudanças começam com a aposentadoria do capitão Nalbert, 30 anos, que já anunciou que disputará mais uma temporada de clubes e, depois, partirá para o vôlei de praia.
Maurício, 36, e Giovane, 33, os dois únicos remanescentes do ouro em Barcelona-92, que assim como Nalbert não foram titulares em Atenas, não chegarão a Pequim-08. O próprio técnico diz não saber se continua.
Ao contrário do jogo entre os dois times na primeira fase, quando o Brasil venceu em uma batalha épica, por 3 a 2, com incríveis 33/31 no tie-break, a seleção nacional teve mais tranquilidade ontem.
No primeiro set, contou com dez pontos em erros do rival. Com boa atuação principalmente do ponta Giba, tanto no ataque como defendendo, o Brasil fechou em 25/15.
Na segunda parcial, foi a vez de o Brasil errar mais e o jogo ficou mais equilibrado. O italiano Sartoretti comandou a reação e a equipe européia fez 26/24.
No terceiro set, o saque do Brasil fez a diferença, principalmente com o meio-de-rede Gustavo, apesar das falhas no bloqueio. André Heller, outro meio-de-rede, também se destacava. Com cinco aces, o Brasil venceu por 25/20.
A superioridade brasileira permaneceu no quarto set, também muito equilibrado. No final, em um erro italiano, o Brasil fechou o set em 25/22 e o jogo em 3 a 1.
Bernardinho O incansável Bernardinho, enfim, conquistou seu objetivo depois de quase quatro anos à frente da seleção masculina de vôlei: a medalha de ouro. ''Hoje, são os jogadores que mexem comigo. Eles são meus ídolos. A coisa mais bonita disso tudo é a união e a harmonia entre os jogadores. E é exatamente isso que espero que eles levem como lição para o resto de suas vidas'', disse o treinador na entrevista coletiva após o título do torneio masculino de vôlei em Atenas.
O técnico só não aceita o rótulo de melhor time. Para ele, essa é uma condição de momento. ''Nesse momento somos os melhores e devemos saber aproveitar isso.''
Bernardinho também reservou elogios específicos ao levantador Ricardinho. ''Ele é um líder da equipe e carrega o peso de pensar a melhor estratégia a adotar dentro da quadra. Sua importância para o time não se restringe ao que ele faz com a bola. Mas também ao lado emocional'', disse Bernardinho, levantador quando era atleta profissional.
Escadinha Muito emocionando após a conquista do ouro, o líbero Escadinha lembrou da suada trajetória até o pódio. ''Entro em quadra como um brasileiro que ganha R$ 280 por mês. Quando comecei a jogar, ganhava menos do que isso e ainda tinha um filho pra criar. Só eu sei o sacrifício que enfrentei todos estes anos.''


