Atenas - O judoca Antônio Tenório, 33 anos, é um gigante. Não enxerga nada desde os 19 anos, mas não se abala. Na segunda-feira, ele derrotou o chinês Run Ming no tatame do Hall Olímpico Anno Liossia, em Atenas, e conquistou o bicampeonato olímpico já havia sido ouro em Atlanta/96.
Ontem, desfrutando o primeiro dia de folga em Atenas ''Gente, virei torcedor, contem comigo'' , ele fez questão de passar o seu recado. Não para os atletas paraolímpicos, que estão dando um show em Atenas e não precisam de elogios gratuitos, mas para aqueles que consideram que a vida acabou porque sofreram um acidente, ficaram presos a uma cadeira de rodas ou perderam a visão.
''Achar que a vida acabou é o maior dos erros. O deficiente precisa saber que há vida lá fora, que há esperança e que, também, há o desporto paraolímpico. É chato dizer, mas muitas vezes a família é a culpada. Ela esconde o deficiente, passa a tratá-lo como se ele fosse quebrar, não é por aí'', disse Tenório.
Em Atenas, o judoca brasileiro lutou entre os meio-pesados e poderá até mudar de categoria para, aos 36 anos, ainda disputar a Paraolimpíada de Pequim, em 2008.
''Nós somos o espelho do Brasil deficiente. Há muitos como nós do outro lado. E cabe a vocês (repórteres) mostrar ao Brasil o que fizemos. Queremos ser um exemplo'', avisou Tenório. E, para completar, ele mandou seu recado para quem pode ajudar a mudar a história do esporte paraolímpico brasileiro. ''É preciso que todos, principalmente os empresários, olhem para os deficientes com mais amor.'' (Agência Estado)

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