Giba não se pronuncia sobre o doping
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - Atletas e integrantes da comissão técnica da seleção brasileira de vôlei ainda estão perplexos com o 'caso Giba'. O Comitê Olímpico Nacional Italiano divulgou uma nota sobre o resultado positivo no exame antidoping que detectou resquícios de maconha na urina do jogador, em uma partida realizada em dezembro, do Ferrara contra o Pádova.
Ninguém quer falar sobre o assunto antes que saia a contraprova do exame. Giba não se pronunciou, e os principais jornais italianos não trazem novidades sobre o caso. ''Todo mundo da seleção vai te responder que foi pego de surpresa quando recebeu a notícia. O Giba sempre foi um ótimo companheiro de time, bom amigo. Além disso, era um cara sossegado, caseiro. Eu nunca soube que de nenhum problema em relação a isso'', afirmou o levantador Maurício, que além da seleção, atuou ao lado de Giba no Olympikus e Telemig/Minas.
Outro companheiro no clube mineiro, o central Henrique ressalta: ''Fiquei sabendo pelo Maurício. Fui direto dar uma olhada na internet e não consigo acreditar até agora. Fora de quadra, não posso dizer como ele era, eu não ficava o tempo todo com ele. O Giba é muito disciplinado, gosta de treinar, jamais eu diria que usava drogas. Sou totalmente contra, nunca experimentei, e sempre achei que o Giba agisse da mesma forma. Mesmo porque ele sempre foi um dos mais alegres no grupo. Pelo que sei, usuários de drogas têm comportamento contrário.''
Álvaro Chameck, um dos médicos da seleção, tentou falar com Giba e não conseguiu. ''Não dá para recriminar o Giba. Ele sempre foi exemplar, nunca tomou um remédio sem perguntar. Eu jamais desconfiaria dele, principalmente porque ele é muito sossegado, atencioso, nunca deu nenhum problema em relação ao comportamento'', disse. ''Giba passou por vários exames rigorosos e nunca foi apanhado. Na fase semifinal do Mundial (em 2002, na Argentina) ele foi um dos escolhidos para o antidoping, e é claro que não deu nada.''
Sobre os efeitos da maconha, Álvaro Chameck explica: ''Usar essa droga é considerado um doping social, e não para aumentar a performance. Maconha, a curto prazo, gera lerdeza, falta de atenção e embaçamento da visão. Em países em que a droga não é proibida, nem doping isso é considerado. Estão querendo tirar a maconha da lista de substâncias dopantes em 2004''.
O líbero Escadinha, que joga na seleção e no Banespa/Mastercard, foi cauteloso: ''Não vou falar como ele era fora da quadra, não me interessa. Estou torcendo para não acontecer o pior ao Giba. Neste momento, o que podemos oferecer é apoio. Se ele realmente tiver usado maconha, merece uma segunda chance, como qualquer pessoa merece. Para mim, ele continua sendo um grande atleta''.


